terça-feira, 17 de agosto de 2010

Os livros dentro dos filmes - parte 2


Continuando o post anterior, mais alguns exemplos legais de livros que têm seu papel coadjuvante em filmes e séries:

A Arquitetura da Felicidade, em 500 Dias Com Ela


Tom e Summer são um casal complicado, com sentimentos confusos. Mas uma coisa é certa: o nível de cultura do relacionamento deles é extremamente alto. Deixando um pouco de lado a trilha sonora incrível, é legal lembrar também desse livro, que aparece em alguns momentos do filme. A Arquitetura da Felicidade é um dos livros que Tom, arquiteto frustrado lê durante uma viagem de trem, e é também o livro que ele dá de presente de aniversário pra Summer. E se você, assim como eu, pensava que o livro era técnico, só sobre a área da arquitetura mesmo, pode estar bem enganado.






Sobre o livro: Arquitetura da Felicidade procura, de uma forma bem legal, relacionar arquitetura com relacionamentos e sentimentos humanos. Uma das teses do autor é a de que o que buscamos numa obra de arquitetura não está tão longe do que procuramos num amigo. Ao construir uma casa ou decorar um cômodo, as pessoas querem mostrar quem são, lembrar de si próprias e ter em mente como elas poderiam idealmente ser. Seguindo esse raciocínio, Alain de Botton também diz que quando alguém acha bonita determinada construção, é porque ela reflete os valores de quem a elogia (exemplos: construções humildes, imponentes, religiosas, aristocráticas, modernas, acolhedoras). Cada obra de arquitetura expõe, portanto, uma visão de felicidade diferente.
Complexo, né? Mas eu acho bem diferente, uma visão de mundo bem legal e uma tese bem interessante. Legal pra quem se interessa por arquitetura e pra quem gosta de conhecer mais a si mesmo e aos outros também :]







O Apanhador no Campo de Centeio, em Annie Hall


Tá aí outro casal neurótico e problemático, mas com ótimo nível cultural. Aliás, provavelmente esse aí é o casal precursor das complicaçõeszinhas de relacionamentos, haha. Alvy (Woody Allen) acha que Annie (Diane Keaton) é meio burrinha, e por isso vive incentivando-a a estudar, fazer faculdade e ler mais livros também. Numa das cenas, ele pergunta por que a maioria dos livros dele tem a palavra morte no meio. E ela pergunta "e esse aqui?", segurando O Apanhador no Campo de Centeio nas mãos.





Sobre o livro: você provavelmente já deve ter ouvido falar que esse livro marcou uma geração. O apanhador no campo de centeio narra um fim de semana na vida de Holden Caulifield, 17 anos, vindo de uma família rica de NY. Ele, que estuda num renomado colégio só de meninos, volta pra casa mais cedo no inverno depois de ter sido expulso da escola. Na volta pra casa, decide fazer um périplo, para adiar, assim, o confronto com a família. Nesse período ele vai refletindo sobre a vida, repassando sua visão de mundo e tentanto definir alguma diretriz para o seu futuro. Antes de enfrentar os pais, Holden procura algumas pessoas importantes para ele, como um professor, uma ex namorada, sua irmã, e tenta explicar a eles a confusão que passa pela sua cabeça.
O tema é bem jovem, e deve ser bem surioso observar como o autor fala da juventude nessa obra, escrita em 1945. Sem falar da curiosidade que eu tenho de saber, afinal, o porquê desse título tão incomum, haha.







Estorvo, em Confissões de Adolescente

Posso falar? Confissões de Adolescente é uma das minhas séries preferidaas, e eu to adorando poder falar dela aqui, hahaha. O livro da vez é um nacional, finalmente, de um dos maiores gênios desse país: Chico Buarque. Estorvo aparece na série nas mãos de Diana, a irmã mais velha da família, estudante de jornalismo e viciada em literatura. Ela compartilha esse gosto com o Murilo Rosa, o cara que ela queria pegar nesse episódio, haha. Se você não conhece, super vale a pena assistir. Episódios disponíveis nesse link - esse é o episódio "Histórias de Amor" :)



Sobre o livro: Estorvo, de 1991, é o segundo livro publicado de Chico Buarque e seu primeiro romance. O autor procura reproduzir uma dimensão urbana aonde o protagonista – sem nome próprio, conduz uma existência a margem, vivendo numa realidade de uma metrópole sem ermo e sem destino. De trajetória obsessiva, pela qual se habituou a pessoas e familiares estranhos. ESTORVO mantém-se perenemente no limiar do sonho e a vigília, entre o olho real e o olho mágico, entre o desespero subjetivo ou a epifania patética do cotidiano. Algumas das vezes a narrativa lembra um romance policial, em que o mistério e o simbolismo transformam-se numa metáfora da visão deformada das relações sociais que são descritos. Narrado em primeira pessoa, ESTORVO, é renovador em linguagem na Literatura Brasileira Contemporânea mas sem ser inovador no sentido do termo pois traz apenas retrabalhados termos, conceitos e imagens já visitadas e palmilhadas no certame literário. (via Recanto das Letras)





Bom, só sei que depois desse monte de livro legal aparecendo nos filmes, eu tô muito com vontade de voltar na Bienal e comprar todos eles!

E você, lembra de mais algum livro legal que apareceu num filme? ;)


Imagens: Google Imagens e Apaixonados por Séries. Resumos dos livros: Google e um pouco de minha autoria, hehe.


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