quinta-feira, 9 de setembro de 2010

100º post ou Um retrato da pessoa certinha



Esse é o meu 100º post nesse blog. Não destaco esse fato aqui pra fazer um post especial de comemoração nem nada disso (confesso que essa hipótese foi considerada, mas foi abandonada por falta de uma ideia legal). Destaco esse fato pra entrar num assunto bem pessoal, porém significativo: eu sou uma pessoa certinha.

Não sei se você que está lendo esse texto chegou aqui no blog hoje, por acaso, numa pesquisa aleatória do Google, ou se você já conhece o Clueless desde que eu comecei, é minha amiga, fofa, e lê sempre só pra me agradar (sim, eu sei que vocês estão aí, haha). O fato é que, não sei se você percebeu, mas eu posto 5 vezes por semana, de segunda a sexta, a não ser em semanas de feriados prolongados como essa. E não é porque eu tenho muuuita coisa pra falar, não me aguento de tanto assunto. Não. Tem dias que eu simplesmente não tenho ideia do que postar. Mas é que eu sou um pouquinho (muito) metódica. Me obrigo a ter essa rotina pra não cair na desculpa de "bloqueio criativo", e também porque eu não sei muito bem como ser livre e postar com a frequência que eu quiser. É, eu sou assim. Se você que tá lendo agora é uma das minhas amigas fofas e até hoje achava que eu era uma pessoa normal, sinto dizer, eu vou te decepcionar.

Sim, porque as pessoas (leia-se mães, tias e outras parentas apertadoras de bochechas) tendem a ter uma ideia boa da pessoa certinha. Acham bonitinho, "que menina responsável", e outros elogios do tipo. Mas eu vou te dizer, ser certinha às vezes é um inferno. Nós, certinhos, sofremos um grande preconceito da sociedade relaxada. Ok, nem é tanto assim. Mas que nós somos incompreendidos, isso nós somos. Duvida?

A pessoa certinha já deve nascer certinha. Pior do que isso, a pessoa certinha parece que já nasce com todo um pacote: senso de responsabilidade, de justiça, de bom comportamento e de um puta medo de ter sua reputação abalada se for pega fazendo alguma coisa errada. Porque às vezes a gente até tem vontade de participar da guerrinha de giz na sala de aula ou de não emprestar o brinquedo pra aquele primo melequento que você tem certeza que vai quebrá-lo. Mas né. A pessoa certinha não aguenta ouvir um "não esperava isso de você". Nem da avó nem da professorinha da 2ª série.

E aí a gente cresce e acha que vai melhorar as coisas. Não tem mais escola, você já decepcionou pessoas ao longo da vida, enfim, não é mais tão imaculada assim. Mas, na verdade, o negócio só piora. Porque o certinho nunca é uma pessoa simplória. Na medida em que ele vai crescendo, as coisas ficam mais complexas, o jeito certinho de ser se espalha em todos os setores da vida. Sério. Pode reparar: o certinho é sempre aquele que fica fazendo o trabalho de faculdade sozinho enquanto a galera nem aí tá viajando. É sempre o que não bebe na balada, porque né, o certinho não gosta de perder o controle sobre si mesmo, e vai que uma amiga fica bêbada, quem vai cuidar dela? O certinho não gosta de mentira, e dá bronca na amiga que mente pros pais. E se eu não fui explícita o bastante, eu já fiz tudo isso.

Não me entenda mal. Certinhos não são necessariamente malas. Nunca fui de dedurar os outros, de encher o saco com as minhas necessidades e nem de querer mandar em vidas alheias. Mesmo assim, você percebe que a pessoa certinha não é exatamente a queridona da turma, né. Vai ter sempre o povo trabalhado no "curtindo a vida adoidado" que vai olhar feio, vai chamar de chata, disso e daquilo. E vai doer. Mas o que o certinho vai fazer? Revidar e se igualar ao "rebelde"? Não. É aí que entra uma graande dose de auto-conhecimento e força que o certinho tem que ter se tiver que encarar esse povo. Não vou começar aqui um discurso tipo cansei-de-ser-certinha, pregando a revolução, o desprendimento e sugerindo que os certinhos do mundo deixem de ligar pra essas neuroses típicas. Aliás, se você souber como fazer isso, favor me mandar esse tutorial.

Mas sério, os certinhos também são gente. São pessoas legais. Falando por mim, ao contrário do que os outros pensam, não sou conservadora, pudica, e não gosto julgar os outros. Tenho minhas paranoias e minhas particularidades, mas quem não tem? Sou meio Monica Geller, meio Charlotte York mesmo, nem todo mundo entende, mas né? Ainda bem que eu tenho um blog, pra desabafar todas essas coisas. E se você, amiga fofa ou pessoa nova que está começando a visitar o Clueless hoje, por favor, continue visitando o blog e me estimulando a fazer mais 100, 200, 300 posts e a manter as estatísticas do blog subindo. Porque você sabe como é. O certinho tem necessidade de manter a boa reputação. Até na relação com o Google Analytics :)

2 comentários:

  1. Certinhos, unidos, jamais serão vencidos. HAHA! Tirando a parte da balada/bebida, sou o certinho da minha turma.

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  2. Adorei seu post! Eu sou EXATAMENTE assim! As pessoas não me acham normal eu ser assim, e eu não as acho normal por elas serem do tipo "curtindo a vida adoidado". São questões de princípios. Já fui muito chamada de chata...nunca fui a 'pop' da turma. Mas eu não consigo não ser assim...eu sou muito metódica, tudo para mim tem que estar planejado, odeio correr risco, gosto de me sentir segura...enfim, fico aliviada por encontrar uma pessoa igual a mim! :) Eu já estava me achando a aberração da natureza.

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