terça-feira, 14 de setembro de 2010

Música - A evolução da espécie


Já dizia Caetano Veloso, lá nos tempos da Tropicália, que a música deve seguir uma linha evolutiva. Que deve ir se aperfeiçoando, que deve haver uma pesquisa musical e que a música boa é aquela que agrega vários estilos, vários gêneros, enfim, vários elementos diferentes. Não ouso discordar do Caetano, acho que ele está certíssimo, e obviamente entende muito mais de música do que eu. Mas, como esse blog é de minha propriedade, chega de falar dele e vamos falar do que eu entendo como evolução na música. Isso quer dizer, vamos falar da minha evolução musical.

Porque pensa bem, todos nós, pelo menos todos da minha geração - nascidos no finzinho dos anos 80, começinho dos anos 90 - começamos do mesmo lugar. Nas suas festinhas de aniversário, sua turma sempre se divertia com Ilariê e cantava o Parabéns da Xuxa. Você conhece a letra, ou pelo menos o refrão, de Vou de Táxi. E é claro que você também dançava o Pop Pop.



Se quando você era criança todos os seus amiguinhos gostavam da mesma baboseira infantil, como então hoje um é pagodeiro, outro é do metal e outro ama a Lady Gaga? Haha, não pretendo fazer uma tese científica sobre isso, mas né, podemos refletir um pouco sobre o assunto. Minha teoria é de que as maiores responsáveis por essas mudanças no comportamento musical são influências externas.

Porque se a gente pensar, o momento em que começamos a definir o nosso gosto musical é o momento em que passamos a perceber melhor o mundo também. Comigo isso aconteceu lá pelos 9 anos, por aí. E as influências externas principais foram três: família, amigos e televisão. Na família, a influência maior foi de música internacional. Tá, meus pais adoram Roupa Nova e Lulu Santos, mas com uma mãe que copiava os looks da Madonna nos anos 80 e tem como maior ídolo e sex simbol (sério) o Fred Mercury, não dava pra esperar outra coisa.



A segunda influência foi o grupo de amigos. Eu morava em prédio, e convivia com amigos mais velhos (tipo, eu tinha 10 e eles 13. velhões). E naquela época, todo mundo era ou queria ser skatista. Ou chorava porque não conseguia andar de skate direito (meu caso). E a música que todo mundo gostava: rock. Muito rock nacional. Fazíamos "luau" com violão e músicas do Capital Inicial, ouvíamos Legião Urbana no walkman e amávamos Raimundos. Mas "A" banda era, sem dúvida, Charlie Brown. Na época, o chorão era mais magro, tinha mais cabelo, falava mais palavrão e tinha músicas com nomes tipo Zóio de Lula. Nenhum pré-adolescente de respeito resistia (sim, porque, no meu círculo social, pré-adolescentes que gostassem de Britney e N'Sync sofriam bullyings homéricos).



Mas claro que nem tudo era Queen e Charlie Brown na minha vida musical pregressa, né. Meu consolo é que ninguém saiu ileso dos anos 90. Ou vai dizer que você também não cantou "Arerê, um hobby, um love, um lobby com você"? Ou não dançou com o "Molejão"? Isso sem falar na inocência com a qual a gente cantava as músicas do É o Tchan. Hahaha, aliás, no axé eu fui além: pedi de Dia das Crianças o CD de uma banda que tava super em alta: Terra Samba. Pronto, agora você tem um motivo pra me zuar pelo resto da vida. Mas duvido que você também não conhecia a coreografia de "carrinho de mão ba-da ba-da-ba-da-ba"…



Mas né, voltando à parte boa da evolução musical aqui, a terceira influência (TV) também foi de uma importância enorme. E eu consigo resumi-la em um nome: Disk MTV. Claro que tinha outros programas super legais também, como o Programa Livre ali de cima (o Programa Livre passava de tarde, e eu lembro de ter faltado algumas vezes na escola só pra assistir. Principalmente no dia que foram os Hanson, hahaha). Mas o Disk era referência máxima, numa época em que a MTV ainda tinha ótimos programas, ótimos VJs e aquelas vinhetas assustadoras. Sarah Oliveira era ídola máxima, e a gente comentava todo dia na aula quem tinha sido o 1º lugar do dia anterior. Foi nesse momento que eu comecei a gostar de algumas das minhas bandas e artistas preferidas hoje: Oasis, Foo Fighters, Aerosmith, Strokes, Pink, Shakira. Pausa pra matar as saudades, hahaha.



Bom, depois disso, as coisas foram mudando, se acomodando, se aperfeiçoando. Perdi o preconceito contra quem curte Britney (até porque hoje eu mesma adoro as antigas da Britney), adquiri mais conhecimento musical, acostumei o meu ouvido a gostar de vários gêneros musicais diferentes. Enfim, acho que segui bem as instruções do Caetano quanto à linha evolutiva musical até aqui. Mas, como tem música nova e boa sendo feita todos os dias, esse é mais um daqueles aprendizados que duram uma vida inteira e nunca satisfazem. E que seja sempre assim. Que a gente saiba apreciar as músicas clássicas e de qualidade, que saiba rir do tempo em que a gente gostou de músicas ruins e que saiba lidar com as mudanças de estilo e comportamento pelas quais a gente ainda vai passar.

Ah, e falando em mudança, tenho que confessar duas coisas que, mesmo 10 anos depois, não mudaram: eu nunca aprendi a andar de skate.

Mas ainda sei a coreografia de Carrinho de Mão.

Um comentário:

  1. Um beijo pra quem dançou Pop Pop na festa da formatura do terceiro colegial. HAHA!

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