terça-feira, 23 de novembro de 2010

All My Loving

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Eu juro que estou tentando. Estou tentando parecer normal depois do melhor show da minha vida. Estou tentando retomar a vida e realizar todas as atividades que eu teria pra hoje - apesar de não ter sido nada fácil levantar às 6h ir pra faculdade depois de ter ido dormir depois das 3h. Eu juro que estou tentando parecer uma pessoa equilibrada e tô tentando controlar a minha enorme vontade de falar pra qualquer um e pra todo mundo "Eu vi, eu vi um Beatle!". Mas olha, tá difícil. Me mandem pra rehab, sou a mais nova groupie fã louca viciada neste senhorzinho absurdamente fofo chamado Paul McCartney.

Sabe, eu sempre fui fã dos Beatles. Mais do que isso, sempre tive a convicção de que não ser fã dos Beatles era tipo o 8º pecado capital. Mas nunca tive bem uma preferência entre eles. Sempre achei os quatro geniais, e que funcionavam genialmente como um grupo. Sempre me mantive completamente alheia à essas discussões "Paul é legal, mas eu prefiro o John", ou "o meu preferido é o Ringo, porque ele não é o preferido de ninguém (sim, estou roubando o exemplo de 500 Dias com Ela)" e tal. Nunca tive um amor pessoal e direcionado a um deles em especial. Até ontem. Ou melhor, até Yesterday. (Trocadilho super tosco, não resisti. Mas não esqueçam, eu juro que estou tentando!)

Ainda era o 1/4 dos Beatles que me movia antes do show. Foi ele que me fez ir pra fila às 11h da manhã,  foi ele que me fez aguentar, ainda na fila, gente chata e gente fazendo churrasco, com deliciosa fumaça de carvão ventilando meus cabelos, e, sem dúvida, foi ele que me manteve ali, longe da minha casa e da minha cama quentinha, tomando chuva, muita chuva, por horas infindáveis. Mas olha, tudo isso é instanteneamente esquecido quando você vê um dos maiores ícones do mundo perguntar com aquele sotaque inconfundível: "Tudo bem in the rain?". E naquele momento, estaria tudo bem in the rain, in the storm, in the hurricane, in the apocalipse! Porque ele tava ali. E não era só 1/4 dos Beatles. Era o músico mais sensacional que meus olhos já viram.

Era um cara que parecia não fazer esforço nenhum pra ser ovacionado por seu público de mais de sessenta mil groupies. Afinal, pra mim ele podia só entrar com aquele look de camisa branca e suspensório e dar um sorriso com aquela cara de bobo que já tava bom. Mas ao mesmo tempo, era um cara que se esforçava muito mais do que qualquer artista para agradar seus fãs enlouquecidos. Porque né, vamos combinar que "maravilhosos" não e exatamente a palavra mais fácil pra um inglês pronunciar. E ele a pronunciou. E repetiu. E nós derretemos.

E olha, eu poderia falar pro resto da vida de como ele tem uma energia sobrenatural aos 68 anos de idade (e se ele toma alguma coisa, eu gostaria muito de saber o que é, hein. também quero tomar, haha), de como ele é um palhaço, um louco, um garoto quando faz suas graças e suas caretas pelo palco, de como ele interage com os fãs, que ficam embasbacados quando um músico com o status que dele faz muita coisa que nenhum outro faz, tipo gritar também quando uma fã solta um grito histérico ou pegar um ursinho que alguém jogou no palco. Eu poderia falar sobre tudo isso. Mas não seria suficiente. Paul McCartney é a definição mais exata e perfeita do termo showman. E nenhuma palavra, ou muitas delas, conseguem descrever o que sente quem o vê no palco.

Enfim, acho que realmente vai ser bem difícil deixar pra trás a emoção pessoal de Let it Be, a explosão sensacional de Live and let Die e a comoção geral de Hey Jude. Vai ser difícil tirar essas e as outras quase 40 músicas do repeat do Itunes. Vai ser difícil parar de procurar vídeos no Youtube e fotos desse dia tão lindo (provavelmente essa é a primeira vez que eu digo isso de um dia chuvoso sem ironias). E olha, me desculpem John, George e Ringo, mas acho que, depois dessa, vocês devem concordar que agora eu tenho um Beatle preferido. E devem me dar razão.

E agora, o que me resta é continuar tentando. Tentando seguir a vida, tentando me focar em outras coisas e admitir que não, Sir Paul não vai me convidar pra acompanhá-lo em todos os shows de sua turnê. E eu até gostaria de poder dizer que tenho fé que um dia vou chegar na rehab dos "fãs que foram ao show e hoje se encontram num misto de estado de euforia com desolamento" e vou poder dizer "Oi, meu nome é Fernanda, e estou limpa há 24 horas. Nesse período, não quis reviver o show do Paul nenhuma vez". Mas acho que não vai ser possível. Porque ontem, eu deixei, debaixo da chuva, não só um corpo, hoje extremamente cansado, e um cabelo que estava super bem escovado. Eu deixei no Morumbi coração e alma. Com você, Paul. All my loving :)

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