segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Chega de falar de mim...

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Mentira, eu vou é começar esse post falando - só um pouquinho - sobre mim. E olha, vou começar logo soltando a bomba, porque coisas difíceis assim a gente deve dizer de uma vez só, pra não doer tanto, né. Vamos lá: eu não sou uma pessoa muito cult. É bem verdade que durante meus anos escolares eu carreguei a imagem de inteligente, "intelectual". Mas, é necessário considerar que: 1) Crianças de 6 a 13 anos não sabem definir muito bem o que é ser verdadeiramente um intelectual e 2) Devido ao fato de eu ser completamente desprovida de qualificações como beleza, simpatia e talento para esportes, ser inteligente meio que era minha única opção. E eu até que gostava de carregar esse "fardo", eu achava que era esse mesmo o meu papel no mundo. Ser um exemplo de conhecimento e saber para meus amiguinhos não-nerds. (Pode rir, é tosco mesmo)

Contudo, porém, todavia, um dia a realidade bate à nossa porta, né. Quando eu entrei na faculdade, percebi, por exemplo, que gostar de Beatles não era uma exceção, mas uma unanimidade entre pessoas mais ou menos da minha idade. E que ter lido mais de 20 livros da Agatha Christie não significava muito quando você não tinha lido nenhum Nietzsche ou Kafka. Não que faça muita diferença hoje, que eu efetivamente já li Niezsche, mas enfim. O objetivo é que você perceba o quanto a minha bagagem cultural aos 17 anos era risível aos olhos daqueles colegas que faziam coisas como filosofia na USP e, aos meus olhos, eram as pessoas (da minha faixa etária) mais cultas do mundo.

Claro que há muito de pseudo-intelectualidade aí. Sempre vai existir gente dizendo que gosta disso ou daquilo porque tem mais valor artístico, ou porque os críticos adoraram, enfim, porque é bonito se vangloriar assim. E olha, depois de muito pastar nessa vida me preocupando com o que os outros vão pensar, com o que eu devia fazer para ser apreciada/admirada/aceita, me desculpe, mas acho que tenho crédito acumulado para soltar um clichê: bonito mesmo é ter coragem pra admitir que, sabe-se lá por qual motivo, o destino te levou a um estado mental no qual você assiste filmes de John Hughes e acha que todos eles deviam ter ganhado Oscars, ou no qual você tem vontade de falar nas entrevistas de emprego que "um livro que você gostou" foi Harry Potter. Não sei porque a vida faz isso com a gente. Mas faz. E, na maioria dos casos, não dá pra voltar atrás.

Pois bem, nesse livro que eu li nessa semaninha em que fui viajar e sobre o qual vim falar aqui (sim, depois de muita enrolação), há uma frase no final que diz assim:
Diante de mim havia duas estradas
Eu escolhi a menos percorrida
E isso fez toda a diferença
Robert Frost
Como sonhadora sem limites que sou, tais palavras me tocaram de forma arrebatadora. E, depois de ler todo o livro, a realidade é que essa frasezinha é nada mais que a cereja em cima do (delicioso) bolo.

Chega de falar de mim... é a obra prima de Jancee Dunn (minha mais nova ídola), que conta suas memórias do jeito mais divertido e adorável que você possa imaginar. O livro é dividido e misturado por capítulos em que ela nos fala sobre sua vida pessoal, sua família incrível, sua adolescência numa cidadezinha de Nova Jersey e seus namorados fail e capítulos em que ela nos dá o deleite de saber mais sobre o trabalho de uma jornalista da revista Rolling Stone. Sim, esse é o dream job dela. E a cada página, a gente percebe que é realmente um trabalho sem igual. Porque né, onde mais você vai poder passar o dia nas montanhas com Brad Pitt e ver ele tocando air guittar (e ficar constrangida sem saber o que fazer), ou entrar no banheiro da Madonna, ou ter Bono Vox beijando sua mão durante uma gravação para a MTV (ela também foi VJ)? Não acontece todo dia.

Eu fiz toda aquela introdução para falar sobre esse livro porque tenho plena consciência de que ele não é nem um Nobel de literatura, nem um clássico milenar, nem um super best-seller. Mas é simplesmente o livro mais sensacional que eu li em muito, muito tempo. À cada linha, cada piada que Jancee faz, cada dica que ela dá para os wannabes que sonham em trabalhar com entretenimento (e que eu super levei pro lado pessoal, como se ela estivesse falando diretamente comigo, hehe), tive a sensação de "oh-meu-deus-que-coisa-genial", igual às que eu tive quando vi o episódio final da 1ª temporada de Glee, ou quando vi o filme Easy A, ou quando viciei na música de Cee Lo Green.

Enfim, eu escrevi esse post para tentar mostrar o quando eu amei o livro e achei incrível/indispensável/sim,estou obcecada. Não sei se consegui (para ajudar, tem o primeiro capítulo disponível em inglês pra quem quiser ter uma ideia aqui). Mas o que eu disse no início do texto ainda é válido: não sou uma pessoa cult. A cultura e a música pop, as comédias românticas, as séries voltadas ao público jovem, os livros de leitura leve, são essas as coisas que me encantam. Um blog em que eu falo sobre tudo isso, de maneira super despreocupada, sem textos rebuscados ou resenhas elaboradíssimas, com montagens sem noção e só com assuntos que eu gosto e que pouca gente na internet aborda do mesmo modo (se eu estiver errada, por favor, me apresentem essas pessoas!), é nisso que eu aposto e é isso que eu vou continuar fazendo.

Todos os dias, tento acreditar que é isso que pode fazer toda a diferença para mim. É essa a estrada menos percorrida que eu escolhi. Qual é a sua?

4 comentários:

  1. Adorei o post e já vou correr atrás desse livro.Ah, e o que me faz gostar tanto do seu blog é justamente essa sua abordagem despreocupada e divertida.Continue assim!

    Bjs!

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  2. Parece ser bem interessante esse livro hein!
    =1

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  3. Fiquei com vontade de ler, rs. E o meu tipo de cultura parece ser o mesmo que o seu...

    Seguindo, adorei o blog. :)


    http://elarafaela.blogspot.com

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  4. Leve e gostoso o seu texto. Como uma boa conversa. Despretensiosamente inteligente.
    Nada mais cool que isso ;)

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