segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O ano novo e as velhas inspirações

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Entra ano, sai ano, e uma coisa não muda: sempre vai ter algum blogueiro no mundo reclamando de bloqueio criativo. Sempre. Acontece nas melhores blogosferas. E hoje é o meu dia de não só reclamar, mas escrever sobre isso.

Não que nunca tenha acontecido. Eu, com essa minha disciplina quase oriental aham de postar em todos os dias úteis da semana, já tive que improvisar alguns posts, que no final, não se configuram exatamente como uma obra prima da criatividade humana, né. Mas hoje, primeiro dia útil do ano, eu não queria improvisar. Queria escrever um textinho legal, do qual eu pudesse me lembrar sem pensar "aff, que lixo" daqui a algum tempo. E aqui estou eu, tentando de verdade.

Mas voltando ao assunto do bloqueio criativo, como pessoa esperta que sou ahaam, tenho meus artifícios para quando preciso de uma inspiraçãozinha de vez em sempre quando. Os principais são as doses de inspiração diárias e online, leia-se os sites Fubiz, StumbleUpon e We Heart It, meus feeds do Google Reader e a minha timeline linda no twitter, que sempre me dá ótimas ideias de posts! As indústrias da moda e do entretenimento, obviamente, também têm enorme participação nas ideias de posts desse humilde blog. Poréem, há ainda um outro "meu jeitinho" de me inspirar.

Antes de tudo, devo dizer que eu sou sim uma pessoa que se apega a bens materiais. Não que isso seja exatamente um orgulho (minha mãe diria - e diz - que é uma vergonha, e que eu devia jogar tudo fora), mas, como já exemplifiquei no post sobre Bilhetinhos, eu gosto de guardar coisas que me são queridas, boas lembranças. Mas eu espero sinceramente que esse "gosto" não se torne uma coisa ruim e que eu não me torne uma daquelas velhas senhoras que fazem coleção de gatos, de pássaros ou simplesmente transformam suas casa num verdadeiro ferro velho de recordações. Rezem por mim.

Como eu tô sentindo que tô fazendo muito mistério por nada, revelo aqui minha fonte especial de inspirações: minha coleção de revistas. Mais especificamente, minha coleção de revistas Capricho:

Minha pequena coleção - e não tá tudo aí! (clique para ampliar)

Sim, pode parecer uma coisa super besta - e provavelmente é - mas eu gosto de ter a minha adolescência bem onde eu posso vê-la. E relê-la, e relembrá-la. E nada, nem os depoimentos e scraps exagerados no orkut, nem os nomes bobos dos grupinhos de amigas no colégio formam uma representação tão completa dos meus teenagers years como o acervo de quase 6 anos de revistas. Desde as matérias de comportamento (como a matéria sobre o que não fazer no primeiro beijo, que eu li tão atentamente, hahaha), passando pelas de entretenimento (como a do show do Strokes aqui no Brasil, que eu chorei por ter só 14 anos e não poder ir) e pelas de moda (como se vestir como as personagens de Malhação, por exemplo), tá tudo lá. Imagine o estrago que isso faz numa pessoa nostálgica.

Algumas das capas preferidas, hahaha

E aí que, por ter acesso a tudo isso, eu tenho vontade de dar uma olhadinha de novo às vezes, rever reportagens da época boa da revista (minha opinião, sem mais profundos julgamentos), reler os deliciosos textos da Liliane Prata e do Antonio Prata, relembrar da minha época de Galera Capricho (já falei brevemtne sobre isso nesse post aqui) refazer os famigerados testes, haha, e, porque não, ter alguma ideia a partir daquilo que eu lia e gostava tanto. Daí que saem, por exemplo, um post super tosco, porém super real, sobre a degradação dos nossos ídolos juvenis (olha minhas Caprichos com o Felipe Dylon na capa aí embaixo, haha) ou sobre a evolução musical pela qual a gente passa na vida.

O passado que condena ;P

Mas aí, depois de escrever tudo isso, eu fico pensando no quão nada a ver é o fato de eu estar aqui, na primeira semana de um novo ano, falando sobre coisas do passado, sobre nostalgia. Olha, honestamente, bem que eu queria, mas não posso dar nenhum contra argumento super inteligente para isso, já que tô aqui, na sala da minha casa, por algumas boas horas já, vendo e revendo revistas de 2004, 2005. Até agora, não sou nenhum exemplo de produtividade em 2011, né. Mas, se tem alguma coisa que eu posso dizer sobre isso é que eu acredito que as pessoas que somos hoje são o resultado de tudo que já fomos, já fizemos, já sofremos e já aprendemos no passado. E já que os primeiros dias do ano são sempre inundados por toda uma onda de mudança, de renovação, acho legal a gente parar um tempinho e pensar no que a gente foi, no que a gente quer ser. Conhecer a si mesmo é meio que um pré requisito pra isso :)

Então, para terminar o texto do primeio dia útil do ano, vou contra todas as dicas de programas femininos e especialistas em simpatias de ano novo que mandam você se desfazer de tudo que é antigo. Eu defendo que você vá fuçar nas suas velharias. Vá ver seus álbuns de fotos, seus brinquedos, seus históricos de msn, enfim, vá buscar o que te levou até onde você está hoje, o que te define. E depois diga se isso também não te traz um mundo de inspirações ;)

2 comentários:

  1. Ver sua coleção me dá um apertinho em lembrar que eu me desfiz de muuuuitas capricho antigas no ano passado... aiaiaiaiai...

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  2. Fê, esse foi, sem dúvida, o melhor post que eu já li aqui (sem desmerecer os outros, claro!). Deu pra sentir a emoção daqui.
    Também acredito profundamente em olhar pra trás para olhar pra frente e auto conhecimento. Mandou muito bem!

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