terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sobre crescer, amadurecer e as saudades da sessão da tarde

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Não costumo escrever nada muito pessoal aqui neste blog. Acho que o mais próximo que cheguei disso foi nesse post sobre as personagens que me inspiravam (com direito a fotos minhas quando criança, que beeeleza). Não sei se é porque eu nunca tive o hábito de escrever em diários (nunca consegui manter por mais de uma semana, talvez porque nunca tive dias muito interessantes pra escrever sobre :P) ou se é porque eu sou mesmo uma pessoa mais fechada, dessas que não gosta de falar muito sobre o que é particular. O fato é que eu nunca perdi meu tempo preenchendo esse espaço aqui com divagações e filosofias baratas do meu íntimo. Nunca. Até hoje.

Antes, deixa eu explicar uma coisa que eu acho que também nunca tinha falado aqui: eu penso demais. Pensamentos como os meus provavelmente não passariam pela cabeça de uma pessoa normal. Ela viveria sem se questionar, sem se preocupar com um passado que pode ter deixado marcas, um presente que não te deixa em paz e um futuro que deixa um misto de esperança e medo. Mas eu, eu não. Eu sou dessas que vai fazer a louca e ficar pensando e olhando pro nada de vez em quando, que vai chorar escutando Vienna e que vai citar Dr. House no twitter. Pois é.

Bom, metáforas à parte, deixa eu voltar pro mundo real. O motivo de tanto pensamento nos últimos meses não foi apenas um, mas foi um principalmente um: minha vida profissional. Não que eu tenha exatamente um pavor de nunca conseguir emprego na vida. Já fui colaboradora de veículos importantes, estudo numa boa faculdade, tenho planos de estudar fora um dia, enfim, consigo enxergar uma luz no fim do túnel. Mas ver vários colegas já trabalhando e se ver em casa ou viajando com os pais sem nenhum trabalho legal em vista foi me dando um certo sentimento de culpa e uma certa depressãozinha. Depressãozinha essa que não foi nem um pouco amenizada pelo fato de eu ter sido recusada num emprego que eu queria muito bem no dia do meu aniversário. Porque desgraça pouca é bobagem, né.

Mas enfim, o tempo passou, até postei sobre este imbroglio aqui no Clueless. E, um dia, eia que me aparece um emprego. E eis que eu consigo ser contratada. E eis que você pensa, "ah, agora cê tá feliz, né?".

Então. Bem que eu gostaria de ser menos complicada e responder "sim, agora tenho tudo que precisava na vida". Mas, como eu disse há uns três parágrafos acima, eu não sou uma pessoa normal. E, além disso, eu acho que também não sou uma pessoa ainda totalmente madura. Porque olha, não tá fácil.

Devo confessar que tô com muito receio de publicar essas verdades aqui. Receio da ideia que vão fazer de mim (o que já mostra um pouco da minha imaturidade), receio de ser mal interpretada. Mas uma das razões pela qual, apesar disso, continuo escrevendo, é que eu imagino (e peço que levantem a mão me deem feedbacks nos coments se for o caso) se alguém aí também se sente ou se sentiu assim. Se alguém também cria expectativas e quebra a cara em 99% das vezes. Se alguém também já teve vontade de largar tudo e ir vender algodão doce numa pracinha de cidade do interior. E, principalmente, se alguém, de dentro do escritório, morre (repetindo) morreeee de saudade de um estilo de vida que não volta mais, de poder olhar a vista do bairro pela janela do quarto e de poder comer um bolinho Ana Maria assistindo a algum filme ruim na Sessão da Tarde!

Eu tinha uma mania (originada nas redações do colégio) no meu antigo blog de sempre terminar os textos com alguma mensagem positiva, alguma lição de moral. Não raramente, ainda pego alguns dos meus textos atuais com resquícios disso. Mas nesse, simplesmente não vai dar. Porque esse é um texto de uma pessoa numa pós-talvez-ainda-presente crise, uma pessoa em fase de transição. Quer dizer, em vez de passar, eu acho que estou muito mais é precisando receber uma lição de moral, né? :S

Dessa forma, então, acho que devo encerrar esse texto apenas dizendo (pra mim mesma acima de tudo) que não, não vou desistir. Vou continuar persistindo no que acho que é bom e necessário pra mim, vou continuar pensando no futuro com um pouco de medo, sim, mas com muito mais esperança. Se o mundo não colaborar, vou continuar aprendendo na marra mesmo e, se não tiver jeito, continuar a participar dessa comunidade também. Quem sabe assim eu consiga crescer, no sentido mais profundo da palavra, e consega sentir a saudade boba que eu sinto hoje mais ou menos dessa forma:

- Foi um período que se encerrou. Aqui começou outro e agora vai começar um terceiro período e então fico com esses dois períodos pra lembrar. Será saudade?
- Acho que sim. Quando nova, eu pensava muito na minha gente. Sabia que não ia voltar, mas continuava pensando com tanta força. Como quando se tira um vestido velho do baú, um vestido que não é para usar, só para olhar. Só para ver como ele era. Depois a gente dobra de novo e guarda, mas não se cogita em jogar fora ou dar. Acho que saudade é isso.
(trecho do livro As Meninas, de Lygia Fagundes Telles)



PS: só mais uma pequena amostra da minha personalidade patética: não tô sabendo lidar com o fato de não poder ver os 60 Melhores Clipes no VH1 todos os dias!! Alguém pode, por caridade, me mandar um sms/um tweet/qualquer coisa me avisando qual é o tema dessa semana??? Serei eternamente grata! haha

5 comentários:

  1. Sinceramente? Eu acho que você deveria parar de se achar tão diferente assim e simplesmente encarar o fato de que a vida é assim e ponto. Qualquer pessoa, principalmente estagiários, que trabalha snte falta das tardes fazendo nada na frente do sofá. Você sentir saudade disso não significa que você é louca, muito pelo contrário.

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  2. Eu sei, eu sei, a intenção não era mostrar o quanto eu sou única, ou estranha, ou qualquer coisa. Eu sei também que a vida é assim, não foi a intenção também reclamar dela. Foi só um texto desabafo com as primeiras impressões de uma pessoa inexperiente começando como profissional. Não leve tão a sério ;)
    E outra coisa, eu provavelmente te conheço, né? Brigada por postar como anônimo, eu realmente sentiria mini vergonha de mim mesma depois desse comentário "cai na real" feelings, haha ;P

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  3. Começei o terceiro ano essa semana e na noite anterior ao primeiro dia de aula senti essas mesmas sensações.Entendo que a vida segue e devemos encará-la,mas a verdade é que dá sim saudade dos tempos em que eu praticamente não tinha que me matar de estudar e podia passar a tarde inteira assistindo filmes,desenhando...
    Quando se sentir assim desabafe,afinal,o blog também serve pra isso,mas lembre-se que dias melhores também virão e ainda tem muita coisa boa pra acontecer nas nossas vidas daqui pra frente.Quem sabe no futuro vc não sinta saudade do que está vivendo agora? :)

    Bjs!

    P.S.:já disse que adoro o seu blog?haha! ele tem sido a minha válvula de escape depois de dias cheios de estudo e aulas

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  4. Fica tranquila, eu tenho 10 anos a mais que vc e ainda tenho essas crises rsrs.. ja conquistei MUITA coisa profissionalmente e as vezes td q quero eh voltar p casa da minha mãe no interior e assistir ana maria braga deitada no sofa... tenho um salarião, ja comprei meu ap e believe me, estou largando td pra ir morar no exterior agora em maio.. nao sou um bom exemplo a ser seguido hehe, mas se quiser um conselho d amiga.. siga seu coração sempre... vc ainda tem muuuito p viver, coisas boas e ruins, vai se decepcionar, cair, levantar.. mas td vai ficar mais facil se vc entender q tem q deixar a vida rolar, nada d ficar com medo do que pode acontecer, sooner or later tudo se ajeita hahah

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  5. haha, é, eu sei! quando eu falei que penso demais, o que eu quis mostrar era isso, que eu tenho brainstorms de pensamentos nem sempre tão positivos, que eu me preocupo ou dou muita importância a coisas que às vezes nem tem taanto valor, que daqui a um dia, uma semana, se ajeitam por si só. e tenho certeza que vou continuar tendo crisezinhas assim tamb;em daqui a 10, 20, 30 anos..normal, haha :)

    E carol, eu já disse que você é muito fofa? haha, e você tem razão, é bem provável que no futuro eu sinta saudades do período que vivo agora, sempre acontece, né? quando eu estava no terceirão, também tinha 723543845 aulas todo dia (minha escola era integral por causa de preparação pro vestibular). mas hoje, eu sei que foi o melhor ano do colegial! aproveita aí você também ;D

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