terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A vingança dos nerds

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Em tempos de The Big Bang Theory e Glee fazendo sucesso e ganhando prêmios, Facebook rendendo bilhões a seu criador e indicações ao Oscar a quem contou a história de sua criação, não é difícil entender o título desse post. Cada vez mais, os nerds, geeks e estranhinhos em geral vêm saindo da obscuridade da primeira cadeira da sala de aula para os holofotes do show business.

Maior prova disso é a nova música dela, a rainha dos freaks, Lady Gaga. A música, na verdade, ainda nem saiu, mas a letra já rodou a internet e conquistou todo o mundo com sua mensagem positiva sobre ser diferente. Dá pra ver a letra de Born This Way neste link aqui.

O fato é que essa tendência de fazer arte homenageando os geeks/freaks ou levantando a bandeira contra o bullying pode até ser uma coisa super atual, mas não nasceu ontem. E é sobre isso que eu vim falar nesse post. Como a cultura pop, especialmente a música, vem lidando com essa questão dos little monsters, como diz a própria Gaga.

Um bom exemplo de que a cultura segue as tendências e acontecimentos da sociedade é observar essa questão da nerdeza. Vamos lá, quantas músicas doa anos 60/70, até mesmo 80 você conhece que falem sobre se sentir excluído, ser desprezado, ser diferente, etc, etc, etc? Talvez você até se lembre de filmes (o próprio A Vingança dos Nerds, ou Weird Science), mas, na música, acho que o mais próximo que dá pra chegar dessa temática são coisas tipo Another Brick in the Wall, do Pink Floyd - que fala mais sobre o bullying dos próprios professores e da má qualidade da educação - e Beat It, de Michael Jackson, sobre enfrentar quem tá te amedrontando (sem metáforas, fisicamente mesmo). Ou, se você quer esculachar de vez nos anos 80, Não Se Reprima, do Menudos, também podia servir como motivação pra quem se sentia acuado na sociedade. :S

Michael Jackson cantou:
Você tem que mostrar a eles que não está mesmo com medo
Você está brincando com sua vida, isso não é verdade ou desafio
Eles vão chutar você, eles vão bater em você
Eles te dirão que é justo
Então caia fora

Aí vieram os anos 90, e uma nova geração de jovens vinha aí pra mostrar ao mundo que ser diferente é legal e geeks são cool, certo? Hm, quase. Não sei se foi o avanço da tecnologia, a criação da internet ou a depressão pós uma década marcada pelos cabelos de Cyndi Lauper e Tina Turner, mas a verdade é que os nerds passaram sim a aparecer um pouco mais na mídia. Bandas formadas por eles começaram a fazer sucesso (oi, Weezer) e músicas sobre o drama de pessoas que sofriam com os rótulos e desprezo dos outros ficaram um pouco mais frequentes. O exemplo mais famoso talvez seja Adam's Song, do Blink 182. A música, de 1999, fala mais sobre solidão, depressão e suicídio. Mas se tornou meio que um hino entre pessoas que eram bullyinadas no colégio. Inclusive as pessoas envolvidas no caso Columbine.


Blink 182 cantou:
Eu nunca pensei que morreria só (…)
Eu tomei meu tempo, me apressei
A escolha foi minha, eu não pensei o bastante
Eu estou muito depressivo pra continuar
Você vai ficar sentida quando eu for embora  





Pois é, não sei se essa tragédia teve, de fato, uma influência direta na música. Só sei que, daí pra frente, o negócio ficou dramático mesmo. Os anos 2000 foram cheios de músicas sobre bullying, sobre não ser aceito, sobre sofrer, ser humilhado, blablabla. Achou triste? Eu também. Mas, aparentemente, os músicos devem ter gostado, pois algumas dessas músicas foram muito tocadas nas rádios e MTVs da vida, chegando várias vezes ao topo das paradas. Stole (2003) , da Kelly Rowland (ex-Destiny's Child), por exemplo, chegou ao top 10 das paradas inglesas, e fala sobre outsiders, que tiverem suas vidas "roubadas" por gente que os excluía. Mas nenhuma outra música descreve tão bem essa depressão da juventude como Welcome to my Life (2005), do Simple Plan. Com uma letra super real, todo mundo (inclusive eu, confesso) fazia questão de cantar junto e botar pra fora seus sentimentos reprimidos. Depois dessa, só resta concluir que, a temática bullying na música dos anos 2000 pode ser definida simplesmente por uma palavra: EMO!

Simple Plan cantou:
Ser machucado, sentir-se perdido
Ser deixado no escuro
Ser chutado quando você está caído
Sentir-se maltratado (…)
Bem-vindo à minha vida

E então, viramos a década, os emos simplesmente sumiram (ainda faço uma matéria no estilo "por onde anda?" procurando por eles. sério!), um tal de "Happy Rock" (como se definem bandas como Restart e Cine) tomou conta do lugar. Dá pra concluir que, assim como o cenário musical, as músicas que falam sobre os freaks desse mundo também mudaram? Olha, eu acho que sim. Tem váarias músicas por aí hoje que, em vez de ficar chorando por ser excluído, ou contar histórias de suicídio por bullying, escolhem exaltar essas diferenças, e se impor contra os valentões e bullers que causam todo esse sofrimento. Pra provar essa minha afirmação, selecionei algumas músicas, lançadas entre 2009 e 2011, que mostram bem isso. Olha aí:

Pink - Raise Your Glass

Lady Gaga pode até ser a rainha dos freaks hoje, mas alguém avisa que P!nk já vem fazendo coisa parecida há uns bons 10 anos. Desde Get the Party Started, seu primeiro hit, Pink se assume como a louca, sem noção, que faz o que der na telha, não agrada os mais conservadores, deixa muito clara sua opinião e, claro, faz música da melhor qualidade! Suas duas últimas músicas tratam sobre o mesmo tema: não ter exatamente o padrão de beleza e comportamento mais aceito do mundo e sofrer por causa disso. Apesar de soar triste, isso é o mais legal da Pink: transformar assuntos complicados em músicas que são uma (linda) injeção de ânimo e motivação pra quem se identifica com eles.


Pink cantou:
Erga seu copo se você é errado
Em todas as formas certas (…)
Então, se você é "muito cool pra escola"
E você é tratado como idiota
Você pode escolher deixar pra lá
Nós podemos sempre, sempre
Festejar do nosso jeito
(Não deixe de ouvir também a linda Fucking Perfect!)

Taylor Swift - Mean

Taylor Swift é conhecida por suas músicas românticas, nas quais de vez em quando ela não hesita em colocar o nome do cara que a fez sofrer (oi, John Mayer. Inveja máxima dela!!). Mas, em seu último cd, ela surpreendeu com uma ótima música cheia de ódio por um cara (não nomeado) que não era exatamente a pessoa mais legal do mundo. Porque às vezes é bom soltar nossa raivinha gritando cantando bastante.

Taylor Swift cantou:

Taylor Swift cantou:
Eu aposto que você foi intimidado
Alguém te fez ser frio
Mas o ciclo acaba agora (…)
E você será simplesmente mau 
E mentiroso, e patético, e sozinho na vida, e mau. E mau.

Katy Perry - Fireowrk

Essa já virou o atual hino de todos os que sofrem bullying. Katy Perry consegiui fazer o combo letra perfeita para o tema + clipe lindo e encantador. Quer dizer, se você achava que a música já falava tudo, vem o clipe e prova que você ainda não viu nada. Afinal, em homenagem aos little monsters, a mulher solta até fogos de artifício pelos peitos! Tem como não amar? hahaha :)

Katy Perry cantou:
Você não precisa se sentir
Como um derperdício de espaço
Você é original, não pode ser substituído
Se você soubesse o futuro que lhe aguarda 
Depois do furacão vem o arco-íris

Depois de tudo isso, só me resta concluir que ter sido a gordinha nerd da escola, sempre a última a ser escolhida na educação física, foi bom, gente. Ser freak/geek/nerd/whatever hoje parece ser a maior e mais lucrativa das tendências! haha :)

E mesmo assim, pra quem ainda não consegue superar o trauma e ainda se sente acuado por aqueles que te enchem o saco, tem uma última mensagenzinha musical, da Lily Allen, que vale por todas essas aí em cima:



2 comentários:

  1. Pô.. e Smells Like Teen Spirit? É uma das grandes canções anti-bullying :)

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  2. Verdade, né? E eu amo essa música, fui bem imbecil de não ter lembrado dela, haha ;P

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