terça-feira, 15 de março de 2011

Mulheres na literatura

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10 entre 10 jornalistas experientes, professores de português e intelectuais de todos os gêneros, quando são questionados sobre algum conselho que dariam a um jovem aspirante a "letrado", falam a mesma coisa: Leia. Leia muito.

Não vou falar "e é isso que eu fiz", pois acho que eu precisaria de outra vida pra conseguir ler tudo o que eu queria e deveria. Mas eu tento. Acho que uma das coisas mais legais que existe é quando a gente consegue achar alguém que consegue nos entreter com as palavras, que tem um estilo de se expressar que a gente adora e/ou se identifica, que consegue traduzir numa frase, num texto, num livro, coisas que a gente sentia, mas não sabia como colocar pra fora.

Felizmente, eu achei várias pessoas assim. Felizmente, várias são mulheres, que ajudam a inspirar ainda mais meninas como eu, que têm vontade de seguir carreira escrevendo.

Selecionei algumas das minhas autoras preferidas de prosa, poesia e frases de efeito! haha, olha só:


Liliane Prata: como todo mundo, conheci a Liliane Prata pelas crônicas da Capricho, que ela faz até hoje. Lili é mineira, tem 30 anos, é jornalista e tem publicados os livros O Diário de Débora 1 e 2 e Uma bebida e um amor sem gelo, por favor. (Dá pra conhecer um pouco sobre as colunas da capricho pelos videos do canal da revista no Yotube). O que eu mais gosto, sempre gostei, nos textos dela, é que eles não chegam a ser engraçadões, mas são super bem humorados. Com uma gracinha aqui, um comentário pessoal ali, o texto consegue fazer com que você se sinta amiga de infância dela. Quando eu crescer, quero ter um texto gostoso assim também :)

Liliane Prata escreveu:

Dia desses, eu estava sentada no sofá de casa, lendo, quieta, desprevenida, quando percebi que ela foi chegando, se aproximando devagarzinho, até que se acomodou, me abraçou e ficou. Não sei se você tem isso, talvez todos nós tenhamos, uns mais, uns menos – essa companhia inesperada de uma tristeza que vem sem avisar, sem querer saber dos planos para aquele dia.




- Tá, me dá uma bebida qualquer - peço, depois de respirar fundo. 

- Mas qual bebida, querida? 
- Qualquer bebida. Aproveita e me dá um relacionamento também, pode ser? 
É só isso que eu quero: uma bebida e um amor sem gelo, por favor.



Tati Bernardi: a melhor descoberta literária dos últimos tempos. Tati Bernardi é redatora, roteirista (dos programas Aline e Amor e Sexo), colunista e escritora sensacional. E isso não é só a minha humilde opinião. O twitter dela ganha 2 mil seguidores por semana. Frases dela pipocam no tumblr. E eu ainda vou citá-la mais uma vez aqui neste blog nesta semana. Quer dizer, não é pouca porcaria. Com quatro livros publicados - A mulher que não prestava; A menina da árvore; A menina que pensava demais e Tô com vontade de uma coisa que eu não sei o que é - se você ainda não conhecia o trabalho dela, acho que a expressão "tá perdendo tempo" nunca fez tanto sentido.

Tati Bernardi escreveu:

Amar dói tanto que você fica humilde e olha de verdade para o mundo, mas ao mesmo tempo fica gigante e sente a dor da humanidade inteira. Amar dói tanto que não dói mais, como toda dor que de tão insuportável produz anestesia própria..


“Você seria só mais um dos chicletes que masco para distrair o dia se não viesse com a capacidade incrível de recuperar o sabor o tempo todo.”


Jancee Dunn: acho que a Liliane Prata é a minha versão brasileira da Jancee, e vice-versa! Não porque o estilo ou os temas das duas são os mesmos, mas porque as duas conseguem ter textos absolutamente adoráveis de seus próprios estilos, e conseguem super me inspirar e me fazer a maior fã do mundo! Hahah, já falei muito da Jancee aqui e aqui, mas volto a dizer que super recomendo, que ela é incrível e que eu quero ser igual a ela também quando eu crescer ;)

Jancee Dunn escreveu:

Leia aqui um capítulo de Chega de Falar de Mim…
…e aqui um capítulo de Por que Minha Mãe Vai Fazer uma Tatuagem?


Lygia Fagundes Telles: ok, agora estamos falando de monstros (no bom sentido) da literatura brasileira! Foi só terminar de ler As Meninas pra eu me tornar groupie de Lygia Fagundes Telles! Aliás, nem precisei terminar pra chegar à conclusão de que ela é mestra na construção de personagens, tão reais e tão complexos que podiam ser eu, você ou a pessoa sentada do seu lado no ônibus. Lygia Fagundes Telles tem 87 anos, é membro da Academia Brasileira de Letras, já ganhou vários prêmios e escreveu mais de 20 livros que continuam com tramas universais super contemporâneas e universais, não importa se situados nos anos 50, na ditadura ou nos dias atuais.

Lygia Fagundes Telles escreveu:

Mas não quero resposta, quero ficar só. Gosto muito das pessoas mas essa necessidade voraz que às vezes me vem de me libertar de todos. Enriqueço na solidão: fico inteligente, graciosa e não esta feia ressentida que me olha no fundo do espelho. Ouço duzentos e noventa e nove vezes o mesmo disco, lembro poesias, dou piruetas, sonho, invento, abro todos os portões e quando vejo a alegria está instalada em mim. (As Meninas)


Por mais banhos que tomasse, persistia o cheiro da memória. (Verão no Aquário)


J. K. Rowling: não tem nem o que dizer dessa mulher que encantou a minha geração e que mostrou pra gente todo o extraordinário mundo de Harry Potter, Ron Weasley, Hermione Granger e toda sua tchurma. Talvez, se forças eu tiver, eu volte a escrever sobre ela em julho, quando estreia o último filme da saga. Só não sei como vai ser, depois de 10 anos, viver sem essa que foi A obra que marcou a minha, a sua, a nossa infância e adolescência.

São as nossas escolhas que mostram quem realmente somos, mais do que as nossas habilidades.


É impossível viver sem fracassar em algo, a menos que você viva tão cautelosamente que você pode, no final, nem ter vivido - nesse caso, você falha por omissão.


Patti Smith: geralmente, acontece o contrário. Geralmente eu conheço a obra do autor pra depois pesquisar sobre a vida dele, sobre quem ele é mesmo, como foi sua vida, etc. Com Patti Smith, não. Fui conhecer a vida dela, a pessoa dela, os sentimentos dela, tudo junto, na auto-biografia Só Garotos. Que é, aliás, sensacional. Ela escreve perigosamente (o que quer dizer que ela ameaça cair num clichezão o tempo todo), mas não falha nem por uma linha. É sublime ao conseguir passar emoção sem ser melodramática, e o resultado é que eu nunca chorei tanto no final de um livro. E depois, só depois que eu li tudo isso sobre ela, é que eu fui finalmente baixar a música mais famosa dela, Because the Night. E viciei, é claro.

Patti Smith escreveu:

Little Emerald Bird wants to fly away/ If I cup my hand, could I make him stay?/Little Emerald Soul, Little Emerald Eye/Little Emerald Bird, must we say goodbye?


Have i doubt when I'm alone/Love is a ring on the telephone/Love is an angel disguised as lust/Here in our bed until the morning comes//Come on now try and understand/The way i feel under your command/Take my hands and the sun descends/They can’t touch you now, can’t touch you now


Agatha Christie: Não tem como fazer uma lista com as minhas autoras preferidas sem ter Agatha Christie no meio. Leio desde criança (é, uma criança meio psicopata, hahaha), lerei até acabar com todos os livros que ela escreveu (que são mais de 70!). Pouca sensações no mundo te fazem sentir tão inteligente (ou, mais uma vez, tão psicopata) quanto descobrir quem é o assassino antes de Hercule Poirtot, hahaha. Só tive esse prazer uma vez, mas a graça mesmo é o entretenimento de ler um livro em um dia, não conseguir largar, ter que descobrir o mistério da história, ficar voltando as páginas depois que você já descobriu pra tentar ver quais evidências você deixou passar, engatar um livro no outro, ler vários ao mesmo tempo. Coisas que só Agatha Christie faz por você :)

Agatha Christie escreveu:

It is a curious thought, but it is only when you see people looking ridiculous that you realize just how much you love them.

Sua reputação é ruim, sim, mas com mulheres, isso nunca as detêm. Se você fosse um homem de excelente caráter, de moral rigorosa, que não tivesse feito nada que não deveria fazer, e, possivelmente, tudo que deveria fazer, eh bien! Então eu deveria ter sérias dúvidas de seu sucesso. O valor moral, você compreende, não é romântico. É apreciado, no entanto, por viúvas. (O Mistério do Trem Azul)


Jane Austen: o que mais admiro em Jane Austen nem é como ela consegue construir um personagem masculino tão perfeito que nem se compara aos homens reais (oi, Mr. Darcy) ou personagens femininas tão legais que você gostaria que elas fossem suas amigas (oi irmãs Bennet, oi Emma). Isso é incrível, lógico, mas o que mais admiro é que ela é uma autora que consegue traduzir a realidade de seu tempo como poucos. Quer entender e conhecer a Inglaterra do fim do séc. 18, começo do séc. 19? Vá pros livros de história, claro, mas não esqueça que ler Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade e Emma, por exemplo, podem ser tão ou mais eficientes ;)

Jane Austen escreveu:

The more I know of the world, the more I am convinced that I shall never see a man whom I can really love. I require so much! (Razão e Sensibilidade)


Maybe it is our imperfections which make us so perfect for one another. (Emma)


Anne Frank: e falando em escrever sobre a realidade de seu tempo, tem alguém que fez isso, e exclusivamente isso, perfeitamente. Ainda mais se levarmos em conta que estamos falando de uma menina de 13 anos! Anne Frank foi uma menina judia que, durante a Segunda Guerra Mundial, escreveu um diário falando de sua vida adolescente (sim, as meninas já falavam de garotos nos anos 40) e de sua vida escondida dos nazistas no fundo de uma casa com várias pessoas, tendo que racionar comida, espaço e dignidade. Ainda assim, ela encanta com suas palavras, e, mesmo nessa situação crítica, conseguia escrever frases fofas como essas aí embaixo:

Anne Frank escreveu:

Think of all the beauty still left around you and be happy.




It’s really a wonder that I haven’t dropped all my ideals, because they seem so absurd and impossible to carry out. Yet I keep them, because in spite of everything I still believe that people are really good at heart.



Ok, confesso que, depois desse post gigante, até cansei de escreveeer! Deixo por conta delas e de tantas outras a tarefa de brincar com as palavras e fazer a alegria da galere aqui.

E você, tem alguma autora preferida na literatura? ;)

3 comentários:

  1. Que legal que vc citou a Anne Frank! A história dela é incrível, e o livro um dos meus favoritos. Esse da Patti Smith tá me coçando muito, quero muito ler - e não é de agora, já que todo mundo fala super bem dele. :)

    p.s. - no post das mulheres nas músicas vc esqueceu da mais legal: Luiza, do Tom Jobim! =P hahaha

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  2. Adorei o post, Jane Austen é uma das minhas escritoras favoritas! Já vou procurar coisas da Tati Bernardi, gostei bastante das frases que vc postou! Liliane Prata eu conhecia dos meus anos de leitora da Capricho. Mas me interessei de novo.

    Bom, tem duas autoras que eu gosto muito, Jodi Picoult e Suzanne Collins.
    Da Suzanne Collins, na verdade, eu conheço apenas a trilogia "Hunger Games". Mas só com o primeiro livro eu já virei fã. É muito complexo pra explicar com poucas palavras então eu te convido a pesquisar sobre a estória (sério, vale muito a pena! XD)
    A Jodi Picoult escreve livros que misturam drama e julgamentos, é como se fosse o John Grisham mas com a sensibilidade da mulher. Recomendo "My Sister's Keeper" (tem filme mas, pra variar, não chega aos pés do livro).
    “People always say that, when you love someone, nothing in the world matters. But that’s not true, is it? You know, and I know, that when you love someone, everything in the world matters a little bit more.” (My Sister's Keeper)

    Bjãoooo :D

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  3. Luiza, eu nãooo esqueci de Luiza, do Tom Jobim! Quase coloquei, quase mesmo, juroo, haha ;P

    Maria Rita, adoreeei essa frase do My Sister's Keeper! Nunca vi o filme porque tenho certeza que, com aquela história, eu vou desidratar de tanto chorar, haha! Mas não conhecia a autora, vou tentar tomar coragem pra ler o livro :)

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