terça-feira, 5 de abril de 2011

Julgando livros pela capa

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Esse CoverSpy é mesmo uma coisinha linda de Deus. Além de ser, como eu gosto de pensar, um estudo antropológico e uma prática muito da decente de voyerismo cultural pela cidade, também te dá muuuitas dicas de ótimos livros pra nossa pequena lista de livros acumulados.

Eu, humildemente, obtive autorização da criadora do site nos Estados Unidos pra fazer a mesma coisa aqui em São Paulo. Mas vou confessar, não é bem a mesma coisa. Sim, há o fato de eu ser uma só fazendo um trabalho que lá fora é feito por toda uma equipe, e também há o fato chato de o brasileiro, infelizmente e inegavelmente, ler muito menos que o americano, o australiano, o argentino (Austrália e Argentina são outros dois lugares onde o projeto também é desenvolvido :)

Mas nem é por isso que eu digo que não é a mesma coisa. Não sei de quem é esse problema; se é das editoras, se é dos autores, se não tem designer criativo no Brasil (convenhamos, isso seria a maior mentira da face da terra). Não sei, só sei que, observando empiricamente os hábitos de leitura dos dois países, dá pra ver muito claramente que as capas dos livros lá são muuuuuuuito mais legais que as capas de livros aqui!!

Ok, aí você vem e diz, "Fernanda, que feio você julgando o livro pela capa!". Mas né, julgar no bom sentido podjy, não pode? Quer dizer, se o livro tem uma capa bonita, sedutora, a pessoa se deixa levar, no bom sentido, pelo design, e, quem sabe, acha uma história super legal que poderia ficar injustamente super no ostracismo se tivesse uma capa bocó, sim ou claro?

Por isso que hoje vim fazer esse post aqui, sem razão aparente. Pra mostrar, ao mesmo tempo, toda a minha indignação com as editoras brasileiras que fazem capas muitas vezes sem sal pros seus livros, e pra dar 4 exemplos de livros que me encantaram pelas capas, e hoje eu tô quase fazendo planilha no excel pra administrar melhor meu tempo pra conseguir lê-los logooooo! Olha só:


1. Other People We Married, Emma Straub. O livro contém doze histórias de amor, cada uma situada em um lugar diferente do mundo. Os personagens do livro são uma zona (como também somos nós, muitas vezes, na vida real, né). Não sabem se vão ou se ficam, se casam ou separam, têm problemas de relacionamento com o marido, os filhos, os alunos - e às vezes, com todos ao mesmo tempo. Mas esses personagens, maioria mulheres, vão descobrindo que, mesmo que pareça que tem gente muito mais feliz que a gente por aí, e que tem gente vivendo vidas muito mais emocionantes, no final todo mundo é igual e passa pelas mesmas dificuldades.

Ainda não está disponível no Brasil, mas dá pra encontrar na Amazon



2. The Imperfectionists, Tom Rachman. Depois de tantas mil comédias românticas que mostram a rotina de uma jornalista e sua redação linda e feliz, vem este livro falar da idiotice e da genialidade da classe jornalística. Tme Imperfectionists capta a "humanidade cativante" de uma redação de um jornal ingês com base em Roma, falando das histórias de cada um lá dentro, desde o foca desajeitado ao correspondente internacional abandonado, achando um elo em comum entre todos. É um desses livros em que a gente encontra uma melancolia agradável, identificável e facilmente tocante.




3. Ghost World, Daniel Clowes. Ghost World é o livro que gerou a adaptação homônima para o cinema, (Ghost World - Aprendendo a Viver, estrelado por Scarlett Johansson e Thora Birtch). A diferença é que esse livro é uma graphic novel, quer dizer conta a história em quadrinhos. As protagonistas, Enid (Thora)  e Rebecca (Scarlett) são duas jovens recém-formadas no colegial que não sabem o que fazer com suas vidas. Entre empregos ruins, faculdade, mudanças na amizade de longa data entre as duas e a presença de um cara que elas acreditam ser "a única pessoa decente no mundo", a gente viaja nas experiências, incertezas e futuro incerto das amigas.

Dá pra comprar na Livraria Cultura



4. Women, Charles Bukowski. "Mulheres (título óbvio em português), publicado em 1978, descreve a vida deste alcóolico que se tornou escritor para poder ficar na cama até o meio-dia", via skoob. As mulheres no livro representam o alter-ego do escritor. O livro narra episódios da vida do protagonista: as bebedeiras, as ressacas, as leituras, as festas, as cartas, e, claro, as mulheres. De todos os tipos, todas as cores, várias idades, mas sempre muitos amores. Uma coisa assim, meio Martinho da Vila feelings, haha ;P

A capa americana é essa aí. Agora olha que broxante a capa nacional (livro não encontrado nas maiores livrarias)


Então, fica aqui o apelo aos designers, editores, ou quem quer que cuide disso aqui no Brasil. Façam arte nas capas dos livros, pra que a gente possa se encantar cada vez mais e ter cada vez mais livros na pilha de próximas leituras :)

2 comentários:

  1. Sim, a capa brasileira do Bukowski é brochante mesmo. Mas já viu a de Pulp? Pelo menos na versão mini (esqueci o termo certo, haha) é linda! Eu tenho e acho uma graça.

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  2. Não sei se é uma questão de gosto, mas as capas brasileiras dos livros de Meg Cabot são BEM melhores que as americanas. E prefiro as capas de HP do Brasil (tirando aquelas deluxes)às inglesas, também. Acho que não é uma regra, então, né. Sorte, sei lá kkk

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