terça-feira, 10 de maio de 2011

I ♥ Confessional Culture

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Sabe aquele sentimento bom de descobrir alguma coisa muito legal, e ao mesmo tempo ruim de pensar em todo tempo que você perdeu sem conhecer tal coisa, ou tendo só uma ideia nebulosa sobre ela? Tipo quando você vai num show de uma banda meio X e depois vai atrás dela no Vagalume e vê que tem 2346523 músicas ótimas, ou quando você vê um filme com um ator fofinho, mas também nada demais, e depois vai pesquisar e vê que ele já fez vários filmes que você ama? Então, toda essa enrolação-espanta-leitor no primeiro parágrafo serve pra explicar mais ou menos o que eu senti essa semana.

Eu disse no video que fiz pro post Na Minha Pseudo-Prateleira que estava lendo um livrinho maroto chamado Cassette From My Ex. Disse que ele era lindo, incrível, meu novo amor, enfim, fui mega efusiva afetiva e literariamente falando. Pois bem, terminei o livro semana passada e fui pesquisar mais sobre ele e sobre os autores das histórias na internet, porque né, quando eu acabo de ler uma coisa muito legal, não consigo me desligar assim tão fácil. Daí que eu descobri que o Cassette From My Ex faz parte todo um movimento super complexo da literatura atual. Tá, talvez não tãao complexo. Mas, sem dúvida, é uma das "escolas" da literatura mais legais ever, haha.

Ele faz parte de um negócio chamado Confessional Culture. É uma coisa que vem bem forte há uns quase 10 anos, e consiste basicamente em pessoas comuns, não famosas, dividindo suas histórias com o mundo. Parece poético, e no fim pode até ser mesmo, mas o caminho percorrido pra chegar até lá é menos óbvio. Os trabalhos classificados como Confessional Culture são depoimentos, revelações, histórias e outras pequenices pessoais que mostram a realidade, e mostram também que, no fundo, todo mundo já passou pelas mesmas situações - o namoradinho do colégio, o amor platônico por algum artista, as brigas com a família, aquela viagem terrível, a vida antes da vida adulta. E é nessas coisas que, segundo os autores, dá pra achar beleza, poesia, muito mais profundidade e afetividade que em muitas formas do entretenimento tradicional.

E se engana muito, muito mesmo, quem pensa que a literatura baseada em depoimentos de pessoas que a gente nunca viu mais gordas são desinteressantes. Tanto que muita gente consome esse tipo de cultura sem saber que ela tem todo esse conceito por trás. O maior exemplo disso é o Post Secret. O exemplo mais famoso de confessional culture é formado por um site, por uma série de livros, videos e uma infinidade de pessoas ao redor do mundo mobilizadas pela simples vontade de contar seus segredos anonimamente.

No mesmo grupinho seleto do Post Secret, estão mais três obras: o próprio Cassette From My Ex, o Found (do mesmo autor, que também é site, e se dedica a postar itens "perdidos" = bilhetinhos, fotos antigas, desenhos, coisas que as pessoas parecem perder por aí ou deixarem esquecidas ou abandonadas em suas caixas, seus porões, etc) e o Mortified: Real Words. Real People. Real Pathetic, que tem as páginas repletas de histórias meio patéticas da adolescência, com comentários atuais dos autores, hoje mais velhos e mais sábios, haha. O Mortifies inclusive ganhou uma sequência, o Mortified: Love Is a Battlefield, só sobre casos amorosos #fail da puberdade.

Eu acho que ainda estou muito envolvida com esses livros e com as histórias dessa gente pra poder fazer uma análise distanciada e tentar entender qual é exatamente o apelo que isso tem nas pessoas. Só sei dizer que, se é verdade que todo bom livro é um pouco auto-ajuda, os livros de confessional culture são a maior prova disso. Ler sobre as vidas bandidas dos outros é, além de divertido, muitas vezes inspirador. E em tempos em que "realidade" na mídia é imediatamente relacionada a reality shows em que meninas da sua idade já fizeram 30 plásticas pra tentar aparecer e ser alguma coisa na vida, é muito, muito confortável se identificar com pessoas que parecem mesmo com você, que passaram pelas mesmas presepadas, e que, no fim, chegaram lá.

Tô até pensando em me espelhar no exemplo dessa galere e começar a escrever textos mais pessoais e confessionais aqui no blog - tenho um bem no estilo do Cassette From My Ex já encaminhado *vergonha* -  mas ainda me sinto meio insegura. Acho que, pra tomar coragem, vou ter que ler todos esses livros aí de cima e mais váarios outros do mesmo tipo (dá pra encontrá-los nas listas de livros relacionados da Amazon, naquela parte onde tá escrito Customers Who Bought This Item Also Bought). O que, vamos combinar, não vai ser nenhum sacrifício ;)


2 comentários:

  1. Sabe dizer se tem previsão pro lançamento de Cassete from my ex no Brasil? Ou se já lançou? Me interessei pela história.
    E admito que esse Mortified: Love is a Battlefield renderia altas risadas de quem super entende o que eles escreveram, haha.

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  2. Não, pior que eu não sei se tem previsão de ser lançado aqui :/
    Mas sei que as duas opções pra adquirir o livro são bem seguras: você pode encomendar pela livraria cultura (eles fazem o trabalho sujo de importar) ou pode comprar diretamente no site da Amazon, que eu super recomendo. Ambos provavelmente vão demorar mais de um mês pra entregar, mas sem taxas e sem o risco de o pacote ficar retido nos Correios :)

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