quarta-feira, 20 de julho de 2011

Balanço literário 2011 (so far)

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Em fevereiro, postei aqui uma wishlist com livros que eu gostaria de ler durante este ano. Bom, chegamos em julho, quer dizer, já deu tempo de sobra pra eu ler pelo menos a metade dos 10 livros que tinha prometido, né?

Por isso, hoje volto ao assunto para fazer um balanço, emitir minhas impressões e opiniões sobre os livros que li até agora. Vamos então às minhas mini-resenhas:

A capa nacional e a capa estrangeira do livro

Só Garotos: Sempre gostei de biografias, e Só Garotos veio para reforçar isso ainda mais. A história de Patti Smith e de seu amigo/alma gêmea Robert Mapplethorpe não é de amor, mas ao mesmo tempo é. Não um amor romântico o tempo todo, mas um amor que ultrapassa qualquer definição, rótulo, ordem pré estabelecida. E é legal porque você vai percebendo isso durante a leitura, vai conhecendo mais sobre a vida dela, a pessoa que ela é. A conduta, a personalidade absolutamente generosa de Patti Smith é uma coisa assim, sem igual. Impossível não repensar nossas próprias atitudes e admirá-la cada vez mais.

Também é muito, muito interessante ficar sabendo mais sobre a cultura e contra-cultura dos anos 70 pelo olhar de quem estava ali, em Nova York, vivendo tudo aquilo. Patti conta que conversou com Janis Joplin num bar assim, como se nada fosse. Pra quem é fascinado por esse período da história, o livro é uma fonte incrível.

Única coisinha que me incomodou um pouco foi a escrita de Patti Smith no começo do livro. Não sei se foi a tradução, posso estar sendo injusta, mas parecia que ela ia cair num clichê muito grande a cada fim de parágrafo. Mas isso melhora assim que ela vai pegando o jeito e as páginas vão avançando. E, no final, lindo, quem caiu num clichê muito grande fui eu: chorei feito um bebê, como nunca tinha chorado com um livro.

Nota para Só Garotos: 9,5. 


Cassette from my ex: Sinto que é um pouco perda de tempo e encheção de saco falar de novo desse livro aqui, uma vez que já exaltei o quanto fiquei apaixonada por ele em alguns posts desse blog (tipo esse). Mas claro que não me custa falar mais um pouquinho.

Cassette from my ex faz parte daquele negócio de confessional culture, no qual as pessoas transformam suas próprias histórias de vida em literatura. Nesse caso, os casos de amor que não deram certo e as mixtapes que ficaram de lembrança deles são o que compõe o livro. Talvez você pense que isso nem é interessante, mas é aí que você se engana. As histórias de amor são muito, muito legais. Muito mesmo. Dá pra rir, chorar, se identificar, querer ser amigo da pessoa que escreveu, tudo isso junto. A inspiração é tamanha que dá até vontade de escrever uma história dessas também (como eu tentei fazer aqui).

E também dá um vazio muito grande quando você termina de ler as 60 histórias do livro, uma gostinho de quero mais. O que super pode ser suprido pelos outros vários livros de confessional culture disponíveis na Amazon. E boa notícia: dá pra ler algumas das histórias do livro nesse site, com direito a playlist das mixtapes online!! Tem como não amar (muito)?

Nota para Cassette from my ex: 10


Morangos Mofados: Conheci os textos de Caio Fernando Abreu por meio de crônicas aleatórias que li em livros de crônicas e na internet. Não sei se isso me deixou meio tapada, só gostando desse tipo de texto dele, ou se realmente não rolou aquela identificação que achei que rolaria com os contos também.

Não é que eu tenha comprado gato por lebre. O estilo de Caio F., aquela angústia, aquela tristeza arrasadora e ao mesmo tempo bonita eu já conhecia, e já gostava. Em Morangos Mofados ela não deixa de existir, só que eu acho que, em todos os contos, era sempre muito mais tristeza do que beleza, sabe? Quando você espera alguma coisa de um autor e encontra outra, é sempre um pouco decepcionante. Mesmo que você entenda que a escrita e os temas que são hiper característicos dele continuam ali. O problema é você, que não conseguiu sentir prazer naquela leitura. Era o estilo dele, mas acho que não era o meu.

Ainda assim, continuo adorando as crônicas de Caio F., e pretendo ler Pequenas Epifanias o quanto antes. Morangos Mofados eu continuo indicando. Pra quem tiver estômago. É pesado.

Nota para Morangos Mofados: 6,5


Por que minha mãe vai fazer uma tatuagem?: Já deixei bem claro aqui neste blog que Jancee é uma das minhas autoras mais queridas. Fazia um tempinho que eu tinha lido seu primeiro livro, Chega de Falar de Mim, e foi muito bom poder reencontrá-la e reencontrar seus "personagens" em Por que minha mãe vai fazer uma tatuagem?

Porque é isso que esse livro é, um reencontro. É a autora falando sobre família, pensando sobre família e fazendo com que você reflita com ela sobre coisas que a gente vive e às vezes nem percebe. Jancee escreve (e é bom ressaltar que ela escreve de uma forma tão descontraída e divertida que parece que você está tendo uma conversa informal com uma amiga) sobre o cardápio das festas de família, uma viagem com a mãe, as manias dos homens, solteirice, suas conversas com a melhor amiga, e claro, sobre o fato de sua mãe querer, depois dos 60, fazer uma tatuagem. Apesar de ser tudo absolutamente pessoal (sério, eu não sei se conseguiria abrir tanto a minha vida como ela faz), é tudo muito universal também. Isso quer dizer que você certamente vai se identificar, e sua amiga também, e sua mãe também. Dei pra minha mãe ler e só ouvia várias risadas vindas do quarto dela :)

Só tenho duas ressalvas: alguns capítulos não são interessantes assim, talvez você tenha vontade de pular, ir pro próximo. E aconselho ler primeiro o Chega de Falar de Mim para saber melhor quem são as pessoas de quem ela fala tanto e ver se gosta. Mesmo assim, se você ama sua família, leia. Não tem erro :)

Nota para Por que minha mãe vai fazer uma tatuagem?: 9,0


Antes do Baile Verde: Na wishlist que fiz no começo do ano, na verdade eu marquei o livro Venha ver o pôr-do-sol como o desejado da Lygia Fagundes Telles. Porém, ao chegar no sebo que eu gosto de frequentar, achei os dois, esse e esse outro aí de cima. Acabei comprando Antes do baile... porque o preço era quase o mesmo, mas continha muito mais contos da autora.

Enfim, o que tenho a dizer é: se você quer conhecer o estilo de Lygia Fagundes Telles, Antes do Baile Verde é uma boa oportunidade. Lygia é mestra em colocar complexidade na personalidade de seus personagens, e isso é muito perceptível em todos os seus textos. Os contos de Antes do Baile Verde são todos curtos, média de 10 páginas. Por um lado isso é bom, dá pra ler bem rapidinho, sem cansar, sem se esforçar. Por outro, é como se você pudesse apenas espiar pelo buraco da fechadura a vida daquelas pessoas, mas não pudesse de fato abrir a porta e acompanhar o antes e o depois de suas histórias. Dá uma certa angústia e uma vontade de continuar a ler, mas quando você vira a página, já acabou. Outro conto, outra história que começa do meio e termina sem final.

O livro tem altos e baixos, tem contos muito bons e outros nem tanto. Eu recomendaria muito mais As Meninas do que ele. Mas, se é uma opção rápida e bem característica do estilo literário de Lygia Fagundes Telles que você procura, então acho que Antes do Baile Verde cumpre bem seu papel.

Nota para Antes do Baile Verde: 8,0


Eu juro que não imaginava que esse post ficaria deste tamanho. Mas estou pensando em voltar aqui com mais resenhas aleatórias, de filmes, livros ou cds que eu venha a curtir :)
E no fim do ano, se Deus e a faculdade me permitirem, terei lido todos os livros restantes da wishlist e voltarei aqui para resenhá-los!

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