segunda-feira, 25 de julho de 2011

Espécie: diva louca da música

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Para os adolescentes e pré-adolescentes de hoje que têm um mínimo nível de bom gosto, pode até ser difícil de acreditar, mas a MTV já foi um canal muito, muito bom. Digo isso porque quem já é um pouco mais velho talvez tenha tido a sorte de pegar uns programas e uma programação de clipes muito bons, mas pra quem tá chegando agora, olha…não tá fácil.

O meu amor pela MTV "antiga" eu já deixei mais exposto nesse post aqui, de quando ela fez 20 anos no Brasil, mas não citei nesse texto uma das produções mais marcantes da MTV: as vinhetas. Eis que na semana passada, sem razão aparente, me lembrei daquela que eu considero a melhor série de vinhetas da história do canal. Qual foi minha surpresa quando encontrei todas elas lindas e prontas para o play no youtube:





Apesar de as vinhetas terem a mesma temática, elas tem uma diferença quanto à execução da ideia. Umas destacam a mudança de visual e estilo musical do artista enquanto outras têm foco na evolução daquela vertente musical em diferentes bandas. Gosto muito dessas com um artista só, até já cheguei a fazer uma galeria no Yahoo! sobre as cantoras que mudaram de look e de estilo musical ao longo dos anos. Mas vou confessar que acho o segundo tipo bem mais legal.

Pois bem. Eu já tinha esquecido dessas vinhetas quando o acontecimento do último sábado fez com que eu me lembrasse delas. Porque apesar de eu não ser a maior fã do mundo da Amy Winehouse, de não ter ido no show dela, de não ter chorado ao saber da morte dela, tudo isso não me impede de reconhecer que ela era genial, uma das maiores e melhores artistas dos últimos anos.

Se eu começasse uma frase falando "em 27 anos de uma vida movida a alcool e drogas", poderia até parecer que eu estou falando dela. Mas, além da frase não ser minha, não é de Amy que ela se trata. Nelson Motta disse isso de Janis Joplin em sua coluna sobre o aniversário de 40 anos de sua morte, no ano passado. E é incrível como, apesar de terem vivido em épocas distantes, elas tiveram uma trajetória parecida.

E não só pelo fato de terem morrido com a mesma idade - fato que por si só geraria uma daquelas vinhetas, junto com os lindos do Jim Morrison, do Jimi Hendrix, do Kurt Cobain. Mas pelo fato de elas serem parte de uma quase que subcategoria da música: as divas loucas. Nelson Motta, de novo, falou sobre elas em uma de suas mais brilhantes colunas de todos os tempos. Sobre o fato de algumas cantoras serem certinhas, caretas, enquanto outras escrachavam total e afogavam as mágoas em litros de alcool e outras drogas. E aí vem a pergunta: será que todos esses "artifícios" eram realmente necessários na vida de gente tão talentosa como Billie Holiday, Janis Joplin e, agora, Amy Winehouse?


Pode parecer um pouco comodista, mas eu gosto de pensar que não há uma resposta certeira pra essa questão. Minha mãe, uma pessoa super esotérica e esclarecida, costuma dizer que os artistas são pessoas muito sensíveis, que muitas vezes não aguentam o peso e a carga pesada do mundo e caem, desabam, se viciam em coisas que possam tirá-los da órbita por um momento. Pode parecer muita viagem, mas eu gosto de acreditar nisso. E, como o próprio Nelson Motta diz no video, é inútil pensar se alguma das divas loucas cantaria melhor se estivesse de cara limpa. Provavelmente, elas nem cantariam.

É por isso que eu gosto de pensar que Amy Winehouse ter falecido recentemente é triste, mas é o que tinha de ser. E que, apesar de todo mundo só conseguir relacioná-la com cocaína e bebida, ela fez muito pelo mundo da música. É uma pena que ela não tenha tido tempo pra lançar mais músicas, experimentar estilos e mudar o visual pra ser protagonista de uma vinheta da MTV tipo "evolução da espécie". Mas acho que ela teve tempo, sim, pra ser uma ótima personagem daquele outro tipo das vinhetas, cujo tema poderia ser não só divas loucas, mas também grandes divas do soul, grandes cantoras britânicas, grandes delineadores gatinho, tanto faz. A carreira de Amy pode ter sido curta, mas para a história da música, sua contribuição será para sempre muito, muito grande.

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