sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A dor do crescimento

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Quando eu tinha lá os meus 11, 12 anos, surgiu o assunto entre os meus amiguinhos sobre dores que a gente sentia no corpo. Nada sério, mas de vez em quando a gente tinha dores nos braços e principalmente nas pernas. Não sei se era só cãibra, só frescura, só inconsciente coletivo, mas a mãe de um desses amiguinhos um dia explicou que essas dores eram normais na nossa idade, que eram as chamadas dores do crescimento.

Não sei se era balela ou não, mas acho que "dor do crescimento" é uma expressão muito boa para caracterizar apenas algumas dores juvenis subestimadas pela medicina, haha. Acho que ela ganha uma utilidade muito melhor se aplicada a um gênero específico de filmes :).

Eu recebo de vez em quando críticas de pessoas próximas a mim (aka minha mãe) falando que eu só gosto de assistir a filminhos românticos bobos ou filminhos de high school (ou um combo dos dois tipos). Além do fato de que essa generalização é absolutamente falsa, gostaria de me defender dizendo que gosto dos filmes de high school porque muitas vezes eles mostram verdadeiros dramas de adolescência, e, ao mesmo tempo, existem poucos bons filmes que falam sobre a vida logo depois do colegial. Porque, apesar de a gente inegavelmente amadurecer depois que entra na faculdade, eu considero que a vida universitária e o início da vida adulta ainda se caracterizam como um período de crescimento - com uma boa dose de dores também.

É sobre esses filmes que vim falar aqui hoje. Atualmente, são os que eu mais consigo ter identificação, que falam sobre dramas jovens, mas de uma maneira descontraída e real, como todo bom filme do gênero deve ser. E o legal é que nem todos precisam ser contemporâneos para se tornarem favoritos. Olha só:


Reality Bites: Um dos filmes mais legais que eu assisti nos últimos tempos. É aquela coisa bem simples, bem nada-demais, mas que acaba sendo um achado. Dirigido por Ben Stiller (que também faz um dos personagens principais), o filme conta a história de quatro amigos, com Lelaina (Winona Ryder, fazendo você também querer ser linda de cabelo curtinho estilo 90's djá) no papel central. Ela trabalha num documentário sobre a juventude de sua época - o que, se nada der errado, será mais ou menos o que farei no meu TCC ano que vem :). Esse é o filme da quote que postei semana passada, e tem, além dessa, várias outras possibilidades de inspiração e identificação. Sem falar que o nome por si só já é sensacional.


Take Me Home Tonight: Falei sobre esse filme aqui no finzinho do ano passado, mas o lindo ainda não estreou nos cinemas brasileiros. Porém, minha ansiedade fez com que eu assistisse antes, e olha, não me arrependi nenhum pouquinho. O filme se passa nos anos 80, e foca numa turma de colegas de colegial que se encontram numa festa um ano depois de terem se formado na faculdade. Lá você encontra o cara que fez um super curso mas trabalha numa locadora, a garota que odeia o atual emprego, a menina que não sabe se casa ou vai estudar fora, enfim, vários questionamentos típicos dos jovens. Extremamente divertido, incrivelmente original e altamente recomendado!


Vida de Solteiro: Já escrevi sobre esse filme aqui algumas muitas vezes, mas não tinha como não falar dele de novo. Dessa vez, a turma de amigos mora em Seattle bem no meio da efervescência do grunge nos anos 90 - desde já, tem como não amar? Daí a gente acompanha as vidas de solteiro de todos eles, com o casal que mal se conhece e a garota já engravida, a louca desesperada pra arranjar namorado, o guitarrista com uma "fã apaixonada", a apaixonada pelo guitarrista que tem as melhores cenas e as melhores frases. Um filme que tem como quote coisas tipo "Being alone: there's a certain dignity to it" é um desses que faz a gente perceber que certas coisas nunca mudam - ainda bem.


Albergue Espanhol: esse filme é um pouco difícil de achar para vender, para alugar e mesmo pra assistir online, mas se você conseguir, não despercide a chance. Albergue Espanhol fala sobre as dores e as delícias daquilo que muitos jovens já passaram ou gostariam de passar: intercâmbio. Entre conhecer pessoas novas, aprender a lidar com elas, se apaixonar por elas e pelo novo país, é impossível não se imaginar no lugar do personagem principal. Aliás, é impossível também não desenvolver uma simpatia imediata por ele. Ótimo filme francês pra sair do óbvio dos filmes americanos.


O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas: Se me perguntassem de qual filme eu gostaria de ver um remake atual (ele é dos anos 80), acho que eu responderia esse. O Primeiro Ano… é bem isso do título mesmo: uma turma de jovens recém formados na faculdade e recém iniciados na vida adulta como ela é aprendendo a conhecer a si mesmos e a lidar com os acontecimentos e as relações Tem gente que não sabe o que quer no amor, gente que não sabe o que quer no trabalho, gente que não sabe o que quer em aspecto nenhum - soa familiar, não? Não canso de ver e sempre observar um ponto diferente.


Apenas o Fim: Representante nacional desse gênero cinematográfico, Apenas o Fim é brilhante em vários aspectos: é brilhante por si só, por ser um filme feito por universitários e ter se tornado conhecido e divulgado como foi, por ter atuações ótimas, por ter referências fantásticas da geração que foi criança nos anos 80/90 e por fazer um balanço tão legal da vida de um casal na "flor da juventude". Quando você menos percebe, já está totalmente envolvido e pensando "mas já acabou?".

Porque, no fim, parece que ser jovem é assim mesmo. Dizem que um dia a gente vai olhar pra trás e pensar: cadê minha juventude que estava aqui, já acabou? Então, o negócio é aproveitar o quanto puder e se inspirar nesses ótimos, ótimos filmes enquanto dá :)

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