segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Os Romeus e Julietas dos tempos modernos

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Eu acho que, nunca antes na história dessa internet, um clipe de uma banda indie praticamente desconhecida gerou tanto bafafá nos blogs, sites e redes sociais.  E não é porque o negócio era tosco tipo Friday, ou porque tinha uma polêmica básica estilo Alejandro, ou porque era um clipe grande com uma mega produção igual Last Friday Night. Mas era bem feito, a música é uma delicinha e era dirigido pela linda da Drew Barrymore, o que já é suficiente para criar um hype fortíssimo na web.

A banda em questão é a Best Coast, e a música é "Our Deal". O clipe foi lançado semana passada, e é um desses em que a música é apenas plano de fundo; a gente presta atenção mesmo é na historinha. No caso, uma garota de uma gang urbana noturna e um garoto de uma gang diurna se apaixonam, e têm de lidar com essa briga entre suas turmas, o que caracteriza uma trama à la Romeu e Julieta.


Se a gente colocar nosso potencial de percepção pra funcionar, dá pra ver que, de vez em quando, o jornalismo do mundo todo se une num clichê só. Eu li muitos e muitos comentários sobre esse clipe, e sem exceção, todos eles o chamavam de "uma versão moderna de Romeu e Julieta". Não estou cornetando, de fato tem alguns clichês dos quais a gente não consegue fugir. Mas chega a ser engraçado e paradoxal pensar que isso de Romeu e Julieta "moderno" é uma das coisas mais manjadas ever.

Essa talvez seja a grande consequência de ser um clássico. Não satisfeitas com uma versão só, as pessoas insistem em fazer remakes, como já mostrei nesse post. O que pode ser ótimo; os clássicos podem ser altamente inspiradores e adaptáveis para versões diferentes, atualizadas, modificadas.

Romeu e Julieta é uma história que, de tão boa, tão indefectível, tão ícone da cultura mundial, dá muita margem a esse tipo de trabalho. Só em novelas eu acho que é impossível contar quantas já usaram esse tipo de relacionamento em suas tramas (beijo pra você que também lembra na horaa da temporada de 2002 de Malhação, com Julia (Juliana Silveira) e Pedro (Henri Castelli) de protagonistas #ttenso). Já teve também muito filme usando a obra de base para o roteiro.

O mais famoso deles talvez seja o Romeu + Julieta na versão com Leonardo DiCaprio e Claire Danes, de 1996. Esse filme divide opiniões: já vi gente falando que é bom e gente falando que é nível vergonha alheia de tão ruim. Mas que dá uma curiosidade de assistir pra tirar a prova, isso é inegável. A história do casal "nos dias de hoje" se passa em Verona Beach, e tem confrontos entre criminosos no meio.


A versão musical de Romeu e Julieta fica por conta de West Side History. O filme é de 1961, mas a montagem para o teatro está sempre em cartaz, seja na Broadway ou aqui em São Paulo mesmo. Dessa vez, a briga fica entre grupos de imigrantes em NY: de um lado, Tony, da família branca de origem britânica, e do outro, Maria, descendente de porto-riquenhos.


E já que Romeu Julieta é uma história tão universal, por que não fazer uma versão nacional e contemporânea da coisa? O filme Era Uma Vez explora essa vertente, com o romance de Dé, um garoto da favela, e Nina, uma menina rica da alta sociedade carioca. É outro grande clichê, o do favelado com a riquinha, mas parece que isso não impede que Era Uma Vez se consagre como um ótimo filme.


Tem ainda um outro filme que não copia exatamente a história de amor mais famosa do mundo, mas usa seus personagens como referência direta: Cartas para Julieta. Impossível assistir e não ter vontade de ir até a Itália pedir conselhos para a dita cuja, visitar a casa dela, brincar de fazer a cena do balcão…


E não são só filmes que recriam Romeu e Julieta nos tempos modernos. Ainda no incrível mundo dos clipes, não tem como esquecer de Love Story, da Taylor Swift. Tudo bem que dá pra imaginar que Taylor só fez esse clipe pra poder se vestir de princesa e correr poeticamente num enorme campo com esse look, mas não deixa de ser uma versão fofa da história :)


O pior é terminar o post sabendo que Romeu e Julieta é tão, mas tão pop, que eu tenho certeza que estou deixando de falar sobre algum outro remake e deixando esse texto imcompleto, haha. Mas a questão é: a gente continua curtindo essas versões modernas do clássico ou já deu o que tinha que dar?

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