quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mocinha de comédia-romântica, qual é o seu problema?

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Vou confessar que de vez em quando eu recorro à cultura pop pra saber o que fazer da minha vida. Recentemente, por exemplo, eu tava lendo um livro ótimo que me deixou super interessada porque uma das personagens era muito parecida comigo, e eu queria ver o que ela ia fazer pra sair da situação complicada em que se encontrava (o livro era Razão e Sensibilidade e a personagem era a Elinor, só pra constar :).

Tudo bem que no final essa personagem teve uma solução super irreal que nunca aconteceria na vida de uma pessoa zoada como eu, mas às vezes só de observar os erros e os acertos dos personagens da ficção a gente consegue se identificar e observar melhor onde nós mesmos estamos errando e acertando. Tô certa ou tô certa?

Daí que eu resolvi transferir essa teoria tosca para um dos meus temas preferidos aqui neste blog: as comédias românticas. Já reparou que muitas mocinhas de comédia-romântica têm os mesmos problemas? Vai ver é porque nenhuma de nós está livre de passar por esses probleminhas na vida real também, então vale a pena observar o negócio de fora e com o bônus da licença poética do cinema. Sem mais delongas, eu acho que os perrengues mais frequentes das mocinhas de rom-com são:

Problema: muito ligada na carreira. 
Ela até gostaria de ter uma vida social menos loser, mas o trabalho não deixa. A mocinha de E Se Fosse Verdade esqueceu de viver depois que virou médica, bem parecido com o que aconteceu com a médica de Sexo Sem Compromisso, que acha que não dá tempo de ter um relacionamento porque trabalha muito. A mocinha de A Verdade Nua e Crua então, parece que esqueceu de como brincar de relacionamento, e só sabe se dedicar e acertar no emprego.


Solução: mais amor por favor.
Não tem jeito, se você escolhe fazer muitas coisas na vida, vai ter que saber manter o equilíbrio entre elas. Claro que às vezes algumas de suas escolhas vão exigir mais prioridade que outras, mas o que eu quero dizer é que não é saudável desprezar um aspecto pra olhar muito mais a outro. Uma hora a gente não aguenta mais o peso só de um lado e cai. Saber dosar suas dedicações - e direcioná-las a quem/ao que realmente merece - é fundamental.

Problema: muito descuidada no visual
Elas são pessoas ótimas, inteligentes, legais, divertidas e super bonitas. Mas o senso de estilo e estética é sofrível. Emma de Um Dia tem uns cortes de cabelo estranhos e óculos que não favorecem. Laney de Ela É Demais também não cuidava do cabelo, mas o pior eram as roupas oversized e horríveis. E Eliza de My Fair Lady, além de se vestir mal, falava tudo errado e não era lá muito educada, né…


Solução: makeover nosso de cada dia.
O jeito que a pessoa se arruma, se veste ou se expressa é problema dela, e ninguém tem direito de impor nada. Mas a partir do momento que esses aspectos se tornam complicações na vida e incomodam, é pra considerar dar uma modificada na aparência. Porque não se iluda, o que a gente mostra por fora conta muito, e às vezes é até um espelho do que a gente sente por dentro, da nossa personalidade. Vale a pena deixar esse espelho sujo? (Tô forçando a amizade nessas metáforas tipo auto-ajuda, né, desculpa sociedade).

Problema: teve o coração partido.
Quem já teve uma desilusão amorosa daquelas sabe que não é fácil mesmo. A gente perde o chão, perde a vontade de viver, perde a ilusão de que a vida pode ser aquele filme àgua-com-açúcar. Personagens das comédias-românticas podem ilustrar isso muito bem. Como esquecer a mocinha de O Amor Não Tira Férias chorando em casa porque o cara que ela gosta tá noivo de outra? Ou a Jess, de New Girl, se debulhando em lágrimas assistindo Dirty Dancing depois que pegou seu namorado lhe traindo? E a Elle, de Legalmente Loira, que jurava que ia ser pedida em casamento mas na verdade viu seu namoro terminar de repente?


Solução: stop the mimimi.
Basicamente, é o seguinte: cêjura que vai parar sua vida e ficar vegetando aí por causa de um cara que não soube te valorizar o quanto você merece? Por favor não, né? Então não tem jeito a não ser chorar as lágrimas que tiver que chorar, olhar sua cara no espelho, ficar horrorizada com o quanto acabada você ficou e se mexer pra sair dessa. As próprias personagens dão boas dicas pra sair da fossa: Iris vai viajar, muda totalmente de ares; Jess faz novos amigos e Elle entra na melhor faculdade do país. Ou seja, faça o favor a si mesma de ocupar a cabeça com coisas melhores.

Problema: tem um histórico de corações partidos.
Quando o amor não dá certo uma vez, como os casos aí de cima, é uma coisa. Mas quando o amor não dá certo váaarias vezes, repetidas vezes, o drama é outro. Aí começam os traumas, as neuras, o desespero. Parece que a mulher precisa a qualquer custo achar um cara que a complete, meio que só pra provar que ela pode, sim, ser feliz no amor. Só que não é bem assim que se brinca, né. Alguém tinha que avisar isso pras loucas Ally de Qual Seu Número?, Gigi de Ele Não Está Tão a Fim de Você e Debbie de Vida e Solteiro.


Solução: keep calm and carry on.
Desespero nunca resolveu a vida de ninguém, né? Muitíssimo menos a vida amorosa. Então, minha filha, não adianta fazer aloka e se frustrar por cada casinho que não vai pra frente. Certas coisas é bom que nem durem mesmo, viu. O melhor que se tem a fazer é tirar o melhor dos relacionamentos, por mais breves ou ruins que eles possam ter sido. Guarde os momentos de carinho na memória, as lições na cabeça, e parta para a próxima com a consciência limpa e o coração tranquilo. Uma hora vai.

Problema: fechada para o amor
Essas aqui não têm o problema de só querer saber da carreira, mas também não estão facinho na pista. São meninas que por alguma razão têm o coração um pouco duro e tratam mal aqueles que tentam dar uma amolecida, se é que você me entende. A mocinha de O Rei da Paquera não quer nem saber do personagem título (vivido por ninguém menos que Robert Downey Jr.). A mocinha de 10 Coisas que Odeio em Você dificulta a vida de todo mundo ao redor por negar tanto uma possível afeição a um certo garoto (vivido por ninguém menos que Heath Ledger). E uma das mocinhas de Idas e Vindas do Amor odeia tanto o Dia dos Namorados que até faz uma festa contra a data (sinto o cheiro de recalque).


Solução: não se reprima.
Os dois primeiros casos refletem uma característica das personagens: o absurdo medo de se machucar, de se decepcionar, de sofrer. E elas não estão erradas, como já diria Gina Indelicada, quando a gente se apaixona geralmente a gente se f*** mesmo. Mas deixar de viver e reprimir suas emoções por covardia também já é uma forma de sofrimento, alguém avisa. Para, né, gente? E o último caso, da louca que sublima suas próprias possibilidades de felicidade porque tem raiva da felicidade dos outros, plmdds, né? Choque de realidade numa pessoa dessas, a vida é curta.

Problema: não sabe lidar com as emoções
Vamos supor que a limda da vez não tem traumas de relacionamentos passados, não tem um look podrinho de verdade, não é bitolada com a profissão e não está com o coração fechado pra balanço. Ela tá de boa então? Mais ou menos, porque, mesmo assim, tem umas e outras aí que precisam saber a lidar com as emoções e dar um rumo a suas vidas. Ronnie de A Última Música acha que é rebelde, odeia tudo e todos, mas trai essa imagem durona quando é pega lendo romances. Cristina de Vicky Cristina Barcelona sabe que não quer ter uma vida monótona, mas não sabe se vai ou se fica, se vai ser mais feliz de um jeito ou de outro, é meio confusa. E Emily de De Repente é Amor vive anos num relacionamento iô-iô com um cara sem nunca ter certeza de que o ama mesmo ou ter coragem de se declarar definitivamente.


Solução: vamo colocar ordem nesse coração aê (e na cabeça também)
Toda mulher tem momentos em que fica totalmente perdida, é normal (eu espero). Mas toda mulher também às vezes tem que virar macho, parar pra pensar, refletir e ver o que quer fazer/ser/decidir, ser sincera consigo mesma e não enrolar (nem ela mesma nem os outros). Senão, o que pode acontecer é você se perder em meio a tanta confusão mental, e perder também tempo e pessoas.

Eu espero que, se você leu tudo até aqui, que você me desculpe por ter escrito tanta besteira e ter tentado dar uma de psicóloga do Casos de Família. Mas eu espero também que, se você leu até aqui, que você concorde comigo que cultura pop é melhor que terapia, não é? ;P

Um comentário:

  1. Parabens pela estrutura e conteudo de seu blog, Forte abraço Renato Artesanato em MDF

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